Caçador (SC) — Um gigante da natureza se rendeu ao tempo. A quarta maior araucária do Brasil, um exemplar com 44 metros de altura, caiu nas últimas semanas na Estação Experimental da Embrapa em Caçador. Conhecida como “Pinheirão”, a árvore se tornou um símbolo da importância da pesquisa e da preservação ambiental no Estado.

A queda da árvore vêm em um momento decisivo para a pesquisa sobre a espécie. A coleta de material genético para clonagem e estudo das características deste magnífico exemplar, que foi documentado antes de seu tombamento, agora se torna uma oportunidade para os especialistas. O Pinheirão, com seu histórico majestoso, proporcionará novos dados que podem enriquecer a compreensão sobre a araucária, uma das espécies mais emblemáticas do Sul do Brasil.

Quais as causas da queda da árvore em Caçador?

Até o momento, não há informações precisas sobre o que provocou a queda do Pinheirão. Pesquisadores da Embrapa e da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Santa Catarina (Epagri) mencionaram que o último registro da árvore em pé foi em novembro de 2025, indicando que a árvore pode ter apresentado fraquezas estruturais ao longo do tempo. Ao longo das décadas, a árvore se tornou oca, o que em grande parte comprometeu sua integridade.

O bolsista Paulo César, membro da equipe de pesquisa, detalhou que a coleta de material genético tornou-se inviável enquanto a árvore ainda estava em pé. “As brotações necessárias para o estudo estavam na copa da árvore, e escalar para coletá-las era perigoso devido à fragilidade do tronco”, afirmou. Essa fragilidade, que se agravou com o passar do tempo e o crescimento do oco no tronco da árvore, agora pode se transformar em um ativo para a pesquisa científica.

Como os pesquisadores pretendem estudar o Pinheirão?

Com o Pinheirão no chão, a equipe de pesquisadores viu uma oportunidade de finalmente coletar amostras de madeira e material genético com maior precisão. Ivar Wendling, pesquisador da Embrapa Florestas, garantiu que, embora o ideal seja coletar o material de cinco a dez dias após a queda, eles encontraram brotações viáveis para o processo de clonagem imediatamente após o incidente.

O material coletado será levado para o laboratório onde será enxertado. O período estimado para que se confirmem os resultados é de cerca de 100 dias. Isso permitirá que os especialistas avaliem se o material coletado possui o potencial necessário para a clonagem do Pinheirão e, por extensão, contribua para a continuidade da preservação da espécie araucária em Santa Catarina.

Qual o impacto da queda na preservação da araucária?

O Sul do Brasil é reconhecido como o berçário da araucária. Santa Catarina abriga exemplares notáveis, como uma árvore de 42 metros em São Joaquim, que pode ter entre 600 e 900 anos de idade. A queda do Pinheirão não apenas gera preocupação sobre a conservação ambiental, mas também desperta discussões sobre as espécies gigantes, que lutam para sobreviver em um ambiente em constante mudança.

“A queda do Pinheirão representa um momento de reflexão sobre a necessidade de preservação das araucárias. Essas árvores não são apenas um marco histórico, mas também desempenham um papel essencial na biodiversidade local”, destacou Maria Augusta Doetzer Rosot, pesquisadora envolvida no projeto.

Para a redação do Diário do Estado, este caso evidencia como a pesquisa e a preservação andam de mãos dadas. As araucárias são espécies que ajudam a manter a biodiversidade e a qualidade do ar na região, e a perda de exemplares tão significativos costuma refletir a fragilidade do ecossistema local e a importância das iniciativas de preservação.

Como a equipe lidará com a coleta de material após a queda?

Logo após o tombamento da árvore, a equipe de pesquisadores realizou uma avaliação cuidadosa do local. Discos do tronco foram coletados a partir de uma região em que a madeira ainda estava íntegra, cerca de 5 metros acima da base. A equipe sinalizou que, devido à estrutura oca do tronco, investigações para determinar a idade anterior foram interrompidas. A prioridade é garantir a segurança durante a coleta de dados e explorar o máximo de informações possíveis sobre a árvore.

A coleta de discos de tronco viáveis permitirá que os especialistas façam uma análise mais precisa da idade do Pinheirão e ajudem a entender melhor o enraizamento e a história desta imponente árvore. A coleta foi feita em um momento propício, visto que a fragilidade do tronco poderia comprometer a preservação de dados históricos importantes.

Quais os passos seguintes para a pesquisa sobre a araucária?

A equipe de pesquisa em Caçador continua monitorando as brotações viáveis e resta agora aguardar os resultados laboratoriais. A meta é não apenas clonar o Pinheirão, mas também contribuir de maneira significativa para o entendimento das araucárias e a sua preservação no meio ambiente. Este tipo de estudo é vital, especialmente já que Santa Catarina é um dos estados que abriga um número significativo de exemplares desta espécie.

Nossa redação esteve em contato com os pesquisadores que estão no local e acompanhará todas as novidades sobre o andamento dos estudos. A equipe do Diário do Estado segue em busca de mais informações e trará novas atualizações assim que confirmadas pela Embrapa e Epagri.

Com a queda do Pinheirão, novamente a sociedade é chamada a refletir sobre a importância das araucárias. A preservação não deve ser apenas uma responsabilidade de instituições, mas de cada cidadão. Este majestoso exemplar, agora tombado, continua a deixar um legado de conhecimento e conscientização em prol da natureza.