Cacuriá: dança maranhense sensacional que viralizou com coreografia marcante

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Cacuriá: conheça dança maranhense que viralizou por sua coreografia sensual e
passos marcados

Vídeo do grupo maranhense acumulou mais de 1 milhão de visualizações e reacendeu
o interesse pela dança criada na década de 1970, em São Luís.

Cacuriá: dança maranhense viraliza por passos marcados e coreografia sensual

Cacuriá: dança maranhense viraliza por passos marcados e coreografia sensual

O cacuriá, dança típica do Maranhão marcada por movimentos sensuais e músicas de
duplo sentido, viralizou nas redes sociais após um vídeo do primeiro ensaio do
Cacuriá do Candinho, grupo de Paço do Lumiar, na região
metropolitana de São Luís.

O vídeo, publicado na última quarta-feira (28) por um dos integrantes do grupo,
já ultrapassou 1 milhão de visualizações. As imagens, que destacam a coreografia
característica do cacuriá, chamaram a atenção até de estrangeiros, que
comentaram sobre a sincronia dos brincantes.

Ao DE, a cantora e caixeira do Cacuriá de Balaio de Rosas, Rosa Reis, falou
sobre a repercussão da dança para o estado e, agora, para o Brasil e o mundo.

“Eu fico muito feliz, muito satisfeita com toda essa repercussão do nosso
cacuriá, essa manifestação tão nova, né, e que já tem esse sucesso de público.
Eu me sinto muito lisonjeada com tudo isso. Parabéns ao Candinho, parabéns a
todos que fazem esse cacuriá maravilhoso, essa manifestação linda, envolvente,
que aglutina muita gente jovem. Isso é muito bonito. Parabéns!”, disse.

No X (antigo Twitter), alguns internautas disseram nunca ter visto algo parecido
e ressaltaram a riqueza cultural do Brasil. Nas postagens, usuários elogiaram a
energia e o gingado dos brincantes e afirmaram que gostariam de conhecer mais
sobre a tradição maranhense.

As imagens, que destacam a coreografia característica do cacuriá, chamaram
a atenção até de estrangeiros, que comentaram sobre a sincronia dos brincantes.

DANÇA EM DUPLA É CONHECIDA PELA COREOGRAFIA SENSUAL

Conheça a origem do Cacuriá, dança típica da cultura popular maranhense

Conhecida pela coreografia sensual e músicas de duplo sentido, a dança surgiu em
1973, em São Luís, criada pelo folclorista Alauriano Campos de
Almeida, o “Seu Lauro”. Inicialmente ligada às festas juninas, a manifestação
logo se espalhou pela capital.

Os integrantes do cacuriá dançam em duplas, com movimentos sensuais
coreografados em uma roda, chamada cordão. Os pares executam passos marcados,
muito rebolado de quadril, improviso e interação com o público.

Cada movimento expressa elementos da cultura maranhense, como crenças, costumes,
alegria e provocações típicas da dança. O contato entre os parceiros, o riso e
as trocas de olhar são parte essencial da performance.

O cacuriá mistura influências de marcha, valsa e samba. O ritmo é conduzido
pelas caixeiras, que cantam toadas sobre a natureza, tradições, brincadeiras
antigas e desejos da população. Uma pessoa inicia as ladainhas, seguidas pelo
resto do grupo, que responde em coro. A parte vocal inclui versos improvisados
repetidos pelos brincantes.

As toadas utilizam as Caixas do Divino, pequenos tambores feitos geralmente com
couro de boi. Outros instrumentos também aparecem, como banjo, violão, clarinete
e flauta.

As mulheres costumam usar blusas curtas, saias longas e rodadas, além de flores
no cabelo. Os homens vestem coletes sem camisa ou roupas bordadas, sempre
combinando com as estampas femininas.

CACURIÁ É INSPIRADO NO CARIMBÓ DAS CAXEIRAS

Segundo a jornalista, Inara Rodrigues, autora do livro “Vem cá curiar o
cacuriá!”, o cacuriá é inspirado no Carimbó das Caixeiras, tradição realizada ao
fim da Festa do Divino Espírito Santo.

Também chamado de bambaê de caixa, o ritual ocorre após a derrubada do mastro —
uma vara enfeitada que carrega a bandeira do Divino. Depois desse momento,
caixeiras e festeiros se divertem tocando o carimbó de caixas, em um clima
descontraído e sensual.

A criação do cacuriá é de Seu Lauro, segundo a jornalista. Ainda assim, muitas
pessoas associam a origem a Dona Teté, que integrou o grupo original e se tornou
o principal rosto da dança.

Dona Teté ganhou destaque pela presença de palco, irreverência e estilo
marcante. Em 1980, ela foi convidada a participar do Laborarte, onde ampliou sua
atuação artística. Em 1986, com incentivo do então coordenador do Laborarte,
Nelson Brito, criou o Cacuriá de Dona Teté, que ajudou a popularizar a dança em
todo o estado.

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