Quatro cidades da Baixada Santista promovem nesta semana caminhadas para a conscientização sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA), marcando a programação especial do Dia Mundial de Conscientização do Autismo na região. Os eventos, previstos para acontecer no próximo domingo (12), trarão atividades gratuitas ao público nas orlas de Praia Grande, São Vicente, Guarujá e Mongaguá, abrangendo diversos bairros e envolvendo a participação de famílias, organizações e escolas. As caminhadas reforçam o compromisso da sociedade civil com a inclusão e o diálogo sobre o autismo, mobilizando milhares de pessoas durante a passagem da nova edição do calendário educativo da Baixada.

Segundo a organização dos eventos, a mobilização regional ocorre em sintonia com datas internacionais da causa, como o 2 de abril, Dia Mundial de Conscientização do Autismo. Em cada local, a programação contempla ações educativas, distribuição de materiais informativos, atividades lúdicas e a tradicional caminhada promovendo a visibilidade da pauta. Para participar, basta comparecer ao ponto de encontro divulgado em cada cidade, preferencialmente trajando roupas azuis, cor que referencia o autismo em nível mundial. As administrações municipais também reforçam que a iniciativa é aberta a pessoas de todas as idades e sem necessidade de inscrição prévia.

Em Praia Grande, a concentração está marcada para as 8h30, em frente ao Conviver Boqueirão, na Avenida Presidente Castelo Branco, s/nº, no bairro Boqueirão. O encerramento do percurso ocorrerá na Praça Portugal, na orla do bairro Guilhermina. Em Guarujá, a caminhada tem início a partir das 14h30, na Praça dos Expedicionários, Praia de Pitangueiras, seguindo até a Praça Horácio Lafer, no Jardim Tejereba. Já em São Vicente, a 10ª Caminhada de Conscientização do Autismo começa às 9h na Praça Heróis de 32, com deslocamento até a Praça 22 de Janeiro. Por fim, em Mongaguá, a 2ª Caminhada MongAutista acontecerá das 9h30 às 11h, na Praça de Eventos Dudu Samba, no Centro.

Movimento reforça visibilidade do autismo na Baixada

A realização dessas caminhadas visa ampliar o entendimento e combater preconceitos em relação ao Transtorno do Espectro Autista, um tema que ganhou destaque nas últimas décadas. De acordo com a Secretaria de Educação de Praia Grande, cerca de 3 mil estudantes com algum diagnóstico relacionado a temas de inclusão estudam hoje na rede municipal, refletindo a crescente demanda por ações informativas como essa. “É fundamental que a comunidade entenda o que é o autismo, conheça seus desafios e possa contribuir para ambientes mais acolhedores”, destacou a coordenadora do núcleo de inclusão educacional do município, em entrevista ao DE.

Atualmente, a prevalência do TEA está estimada em 1 a cada 36 crianças nos Estados Unidos, número que também inspira o crescimento das campanhas nacionais de conscientização. “Muitas famílias de cidades pequenas têm buscado acolhimento e informação nessas caminhadas”, aponta a organização. Para contribuir ainda mais com a mobilização, o Instituto União Autista, responsável pelo evento em Guarujá, abriu inscrições para voluntariado e doações, fortalecendo a interação dos participantes com entidades do terceiro setor.

No município de Mongaguá, a prefeitura reforça a parceria com escolas e secretarias de saúde, que levarão profissionais para esclarecer dúvidas e distribuir folhetos educativos. Além disso, durante toda a semana, serão realizadas palestras e rodas de conversa sobre o autismo em unidades de saúde da região, promovendo, segundo a organização, uma abordagem multidisciplinar do tema e incentivando o respeito e a empatia nas relações sociais.

Importância do diálogo aberto e ações durante todo o ano

Especialistas e familiares de pessoas com transtorno do espectro autista destacam a importância das caminhadas para a construção de uma sociedade verdadeiramente inclusiva. Segundo a psicopedagoga Renata Figueiredo, a simples presença de pessoas trajando azul nas ruas já sensibiliza a população para a causa. “É uma ação simbólica, mas que tem efeito concreto na vida das famílias, porque promove o respeito e desperta a curiosidade de quem não conhece sobre o TEA”, afirma. Ela reforça que a conscientização precisa ser contínua, com atividades em todos os meses do ano e não apenas em datas específicas.

As prefeituras, em conjunto com organizações da sociedade civil, têm promovido cursos, oficinas e campanhas permanentes sobre o tema em escolas e unidades de saúde, ampliando a divulgação de direitos das pessoas com deficiência. Uma das demandas recorrentes das famílias é a oferta de vagas em salas de recursos multifuncionais e o aprimoramento da capacitação de professores. Nos últimos dois anos, Praia Grande, Guarujá, São Vicente e Mongaguá implementaram novas turmas de educação especial, em parceria com secretarias estaduais e municipais.

Além disso, segundo levantamento recente, a economia local também se beneficia da realização de eventos voltados à inclusão. Hotéis, restaurantes e comércios da orla registram aumento no movimento de famílias e profissionais nas semanas em que acontecem as caminhadas de conscientização. O circuito, que já faz parte do calendário turístico-social da Baixada Santista, estimula a contratação de mão de obra e movimenta serviços da região.

O que esperar para os próximos dias? Confira a programação

O público pode se preparar para uma programação diversificada, que inclui, além das caminhadas, atividades recreativas para crianças, oficinas artísticas, distribuição de materiais educativos e pontos de apoio com orientações sobre direitos e políticas públicas para o autismo. A expectativa, de acordo com a organização, é superar o público da última edição, que reuniu mais de 2.500 participantes somente em Praia Grande. Interessados devem acompanhar os canais oficiais das prefeituras para informações sobre possíveis alterações devido às condições do tempo.

Entre as ações de destaque, está o convite para vestir azul, que além de homenagear o autismo, também funciona como sinal de união de toda a comunidade. Famílias de outras cidades da região, incluindo turistas que visitam a Baixada durante a alta temporada, também são esperadas, tornando o evento uma grande manifestação coletiva em prol da inclusão. “A experiência é enriquecedora, tanto para quem convive com o autismo quanto para quem deseja aprender, pois o respeito começa pela informação”, declarou um dos coordenadores do evento de Guarujá, ressaltando ainda o papel das cidades na multiplicação das boas práticas.

Para garantir o conforto, as administrações municipais informam que haverá banheiros químicos, acesso facilitado a cadeirantes e distribuição de água nos pontos de chegada. Equipes de atendimento emergencial estarão disponíveis durante todo o percurso, visando a segurança dos participantes. Além disso, profissionais de saúde e voluntários do setor social estarão prontos para atender dúvidas e encaminhar orientações, caso seja necessário ao longo das atividades, deixando todos preparados para aproveitar ao máximo.

A iniciativa de promover caminhadas durante o mês de abril acompanha um movimento crescente em todo o Brasil de valorização das diferenças e combate à exclusão. De acordo com a Federação Nacional das Apaes, o volume de diagnósticos do espectro aumentou 60% na última década, exigindo respostas rápidas de gestores públicos e agentes sociais. “Faz parte da missão dessas campanhas reunir famílias e estimular a troca de informações, fortalecer vínculos e enfrentar os tabus sobre o autismo”, ressalta nota divulgada à imprensa pelo grupo de coordenação regional.

Especialistas lembram que o TEA apresenta manifestações e graus bastante variados, exigindo do poder público não apenas ações pontuais, mas políticas permanentes de inclusão, como oferta de terapias, apoio educacional, inserção no mercado de trabalho e campanhas informativas recorrentes. “É preciso, acima de tudo, garantir acesso e participação ativa das pessoas com autismo em todos os espaços da sociedade”, avalia a psicóloga Fernanda Ramos, que conduzirá uma das rodas de conversa em Mongaguá.

Neste contexto, importantes conquistas já vêm sendo registradas na região, como a ampliação de vagas em classes de apoio, a criação de centros de atendimento especializado e o aumento da participação de organizações sociais em conselhos de direitos. A expectativa, segundo a organização, é de que mais cidades do litoral paulista ampliem o calendário de eventos inclusivos nos próximos meses.