Caminhoneiro agride policiais e é baleado pela PM em Santos: o que muda na investigação?

Caminhoneiro agride policiais e é baleado pela PM em Santos: o que muda na investigação?

SÃO PAULO (SP) — Um caminhoneiro de 46 anos foi agredido por um policial militar durante protestos contra a Medida Provisória (MP) 1.343, a MP do Frete, no Porto de Santos, gerando uma confusão que terminou com o manifestante ferido e detido por quatro horas. A defesa do caminhoneiro afirma que ele agiu em legítima defesa, pensando que estava sendo atacado por outros motoristas, e que cessou a reação ao perceber que os agressores eram policiais. O caso é investigado pela Polícia Civil, enquanto a Polícia Militar analisa imagens de câmeras operacionais para esclarecer a abordagem.

Defesa alega legítima defesa em confusão no protesto

De acordo com o advogado Júnior Dantas, que representa o caminhoneiro, o incidente começou quando um motorista furou a paralisação no Porto de Santos, atirando o veículo contra os manifestantes. “Os policiais chegaram, mas acabaram excedendo essa forma de apartar. Alguém discutiu com o policial e os policiais agrediram ele pelas costas”, disse o advogado em declaração pública. O caminhoneiro, que já havia levado um soco na cabeça, ficou desnorteado e passou a se defender contra quem ele acreditava serem outros motoristas. “Quando ele percebeu que eram policiais, ele cessou imediatamente as agressões. Diversos policiais acabaram cercando ele e agredindo ele com cacetetes, socos e gás lacrimogêneo, deixando-o bem machucado”, completou.

O advogado afirmou que o caminhoneiro ficou cerca de quatro horas detido no 5° Distrito Policial, aguardando a presença dos policiais envolvidos para prestarem depoimento. Em SÃO PAULO, a Secretaria da Segurança Pública informou que a Polícia Militar apura as circunstâncias da abordagem e analisa as imagens das câmeras operacionais portáteis (COPs) dos agentes. A versão oficial da PM indica que o manifestante atirou uma pedra contra um veículo que seguia viagem, o que motivou a intervenção e culminou no soco no caminhoneiro.

Protestos e tramitação da MP do Frete

O protesto no Porto de Santos integra um movimento nacional contra a MP do Frete, que altera as regras do piso mínimo para o transporte rodoviário de cargas e amplia punições para empresas que descumprirem a tabela oficial. Na Baixada Santista, a paralisação chegou ao segundo dia, acompanhando a mobilização em outras regiões do país. Horas após o incidente, o Senado aprovou a medida, que segue para sanção ou veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Os caminhoneiros autônomos foram orientados por sindicatos a não aceitar novos fretes na região portuária até que a proposta seja votada formalmente em Brasília. A Polícia Civil continua investigando o caso, enquanto o sindicato local ainda não se manifestou sobre os episódios de violência durante os protestos.

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