Campinas (SP) — Uma sequência de quatro acidentes envolvendo motocicletas deixou uma pessoa morta e quatro feridas entre a madrugada e o início da manhã desta terça-feira (21) em Campinas, aumentando a preocupação com a segurança viária na cidade. De acordo com informações da Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas (Emdec), a vítima fatal, um homem de 51 anos, perdeu a vida após colidir frontalmente contra uma árvore por volta das 1h50, no cruzamento da Avenida Tancredo Neves com a Rua Júlio Soares Mota, no sentido centro-bairro.

Outros três acidentes graves foram registrados em sequência, colocando em alerta órgãos de trânsito, profissionais de saúde e a própria polícia sobre o aumento de ocorrências envolvendo motociclistas em São Paulo. Duas das vítimas são um casal que sofreu escoriações após uma queda de moto de um viaduto, enquanto outros dois homens colidiram suas motocicletas contra postes em vias importantes da cidade, gerando bloqueios temporários e mobilizando intensa operação de resgate e perícia.

Segundo levantamento da Emdec, as causas exatas dos acidentes seguem sob investigação, mas as ocorrências já reacendem o debate sobre a prevenção de acidentes e o alto índice de sinistros com motociclistas no município, que é um dos maiores polos urbanos do interior paulista. O tema já mobilizou discussões recentes entre representantes do setor de transportes e autoridades regionais, principalmente após registros de episódios similares em Campinas nos últimos meses, como mostrado pelo setor de Justiça municipal.

O que se sabe sobre a madrugada violenta em Campinas?

O acidente mais trágico da madrugada ocorreu em plena Avenida Tancredo Neves, importante via de ligação do município. De acordo com a Emdec e informações repassadas à investigação preliminar, a motocicleta conduzida por um homem de 51 anos perdeu o controle e colidiu frontalmente contra uma árvore na calçada. A vítima morreu na hora, antes da chegada do socorro. O local permaneceu isolado durante a madrugada para o trabalho das equipes de perícia técnica, que aguardavam mais detalhes sobre as condições do acidente até a manhã.

Poucas horas depois, por volta das 3h30, o Corredor BRT Campo Grande foi o cenário do segundo acidente. Um casal, ele com 37 anos e ela 50 anos, transitava pelo viaduto da Avenida John Boyd Dunlop quando o condutor perdeu o controle e ambos caíram da moto. Ambos foram socorridos com escoriações e encaminhados ao Hospital da PUC-Campinas. A via permaneceu bloqueada até as 4h40, causando impactos no fluxo matinal de veículos.

O terceiro acidente aconteceu cerca de meia hora depois, às 4h, na Avenida Lix da Cunha, envolvendo um homem de 27 anos que colidiu a moto contra um poste e fraturou a perna. Já na sequência, às 5h20, outro motociclista, de 46 anos, sofreu ferimentos após um impacto semelhante na Avenida Ruy Rodriguez. Ambos foram socorridos por equipes do Samu e levados para hospitais regionais. Os bloqueios no trânsito das avenidas permaneceram até a liberação das vias, entre 4h55 e 5h50.

Quais as possíveis causas para tantos acidentes com motos em Campinas (SP)?

Segundo especialistas ouvidos pela reportagem, a principal hipótese para a série de acidentes está relacionada à combinação de fatores como imprudência, sono ao volante, vias escorregadias e excesso de velocidade durante a madrugada. Em relato à polícia, testemunhas de dois dos acidentes afirmaram que os condutores podem ter perdido o controle após desviar de obstáculos e sofreram aquaplanagem causada pela umidade do asfalto comum no inverno paulista.

Outro ponto destacado é o crescimento acelerado do número de motocicletas circulando em Campinas — um fenômeno nacional também observado por órgãos de justiça, mas ainda mais acentuado nas gigantes cidades do interior paulista. Segundo dados da Emdec deste ano, Campinas soma mais de 150 mil motos cadastradas, superando marcas históricas e pressionando o sistema de fiscalização municipal. O aumento na frota está diretamente ligado ao crescimento do setor de entregas rápidas e aplicativos, além da busca por mobilidade rápida em horários alternativos.

O departamento de polícia e trânsito do município já liderou campanhas recentes para coibir imprudências e conscientizar os motociclistas sobre os riscos de pilotagem em alta velocidade, principalmente em horários de menor fluxo, quando o relaxamento na atenção costuma ser maior. Além disso, a cidade passou a investir em iluminação pública e sinalização para reduzir pontos cegos e minimizar a incidência de tragédias similares ocorrido nesta terça-feira (21).

Como está a situação dos feridos e quais providências são adotadas em Campinas?

Os quatro feridos nos acidentes desta madrugada permanecem sob observação hospitalar, segundo boletim dos hospitais PUC-Campinas, Mário Gatti e Pronto-Socorro São José. Conforme apurado, apenas um deles apresentou maior gravidade: o homem de 27 anos, que passou por cirurgia após fratura exposta na perna. Os demais tiveram escoriações e estão estáveis, com previsão de alta médica nos próximos dias, desde que não surjam complicações em seu quadro clínico.

Após a conclusão da perícia nos locais dos acidentes, a Justiça deve receber, até o final da semana, os laudos das instalações das motos e as imagens de câmeras de trânsito disponíveis nas vias impactadas. Esses documentos serão fundamentais para entender se fatores externos, deficiência na sinalização ou eventuais defeitos nas pistas podem ter contribuído para a série de acidentes desta terça-feira (21).

De acordo com o departamento de trânsito da cidade, novas blitzes serão realizadas nos próximos fins de semana para fiscalizar a documentação dos veículos, condições de uso obrigatório de equipamentos de segurança e eventuais ingestões de álcool. Recentemente, ações integradas entre Polícia Militar, Emdec e Polícia Civil resultaram na apreensão de motos irregulares, principalmente em festas clandestinas e aglomerações noturnas em bairros periféricos de Campinas.

Quais medidas Campinas (SP) deve adotar para prevenir acidentes futuros?

Diante do histórico preocupante de acidentes envolvendo motociclistas, Campinas tem revisto e atualizado políticas municipais de segurança viária, considerando a necessidade de integrar ações de fiscalização e educação com campanhas permanentes nos meios de comunicação e escolas locais. Faculdades e estabelecimentos parceiros já aderiram a programas de prevenção realizados em conjunto com a Justiça municipal, focando na conscientização dos públicos mais jovens, que representam boa parte das vítimas desses sinistros.

A cidade também estuda, segundo fontes internas da Emdec, ampliar o uso de radares inteligentes capazes de alertar sobre alteração repentina de velocidade e captar imagens em pontos críticos —, uma tecnologia já presente em outros municípios do eixo Campinas-Sorocaba que registraram queda de acidentes após a instalação. Outras sugestões incluem a melhoria na conservação do asfalto, aumento da sinalização noturna e ampliação das equipes de patrulhamento ostensivo em horários de maior vulnerabilidade.

Além das medidas estruturais, representantes da sociedade civil e coletivos de entregadores pressionam por fortalecimento de políticas públicas, com ações educativas específicas para o uso consciente de motocicletas e para incentivar o respeito às leis de trânsito. O caso desta terça-feira está mobilizando discussões em entidades como o Observatório Nacional de Segurança Viária, incentivando um olhar mais criterioso sobre as dinâmicas de mobilidade em Campinas e arredores, e já se discute a criação de uma frente parlamentar para debater o problema junto à Assembleia Legislativa de São Paulo.

No contexto do estado de São Paulo, Campinas se destaca não apenas pelo tamanho da frota, mas também pelos esforços em projetar protocolos de urgência e emergência para motociclistas, refletindo na melhoria do atendimento do Samu e do Corpo de Bombeiros. Registros oficiais indicam que, apesar do trabalho já implementado nos desafios de segurança no trânsito, episódios como os da madrugada desta terça-feira (21) preocupam autoridades e moradores sobre o aumento do risco e a necessidade de respostas rápidas do poder público.

Familiares das vítimas ressaltam que a perda inesperada desse morador, bem como os traumas para os feridos e suas famílias, aprofundam o sentimento de insegurança nas vias locais, sentimento que foi amplificado nas redes sociais durante a manhã. A expectativa na cidade é que a apuração em curso nas delegacias de trânsito, aliada ao trabalho da investigação municipal e estadual, possa trazer respostas claras sobre a multiplicidade de tragédias ocorridas em poucas horas e impulsionar novas medidas preventivas para o trânsito de Campinas.

O clima entre os motociclistas, especialmente aqueles que utilizam a moto como fonte de renda, é de alerta máximo. Líderes de grupos de motofretistas na região reforçam o apelo para que todos adotem ações preventivas ao se deslocar, especialmente durante a madrugada e em pontos reconhecidamente perigosos da cidade. Organizações locais planejam, inclusive, paiatas solidárias e campanhas de doação de equipamentos de segurança para vítimas menos favorecidas, como forma de resposta solidária à onda de acidentes graves registrada em Campinas nos últimos meses.