Campinas (SP): Secretário admite reunião com empresa antes de leilão de transporte público

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CAMPINAS (SP) — Em uma intensa discussão sobre a licitação do transporte público municipal, o secretário de Transportes de Campinas, Fernando de Caires, afirmou durante uma reunião da Frente Parlamentar de Acompanhamento da Licitação, realizada na última terça-feira (16), que recebeu um representante da empresa Smile Transportes em janeiro de 2026, um mês antes do leilão do sistema de transporte público da cidade. O fato gerou controvérsia, especialmente considerando que o certame está atualmente suspenso por determinação judicial, e a empresa se encontra sob investigação pelo Ministério Público.

A revelação, feita em um encontro da Câmara Municipal, trouxe à tona questões éticas relacionadas ao procedimento do secretário em se reunir com a empresa antes do leilão. Questionado pela oposição, Caires contornou a situação, explicando que sua prática de receber representantes empresariais é costumeira e que a reunião em questão visava apenas um manifesto de interesse da Smile no leilão. “Eu imagino que por ser uma licitação grande, um processo complexo, eu não vi problema nenhum”, disse o secretário, argumentando que atender a demandas de empresários é parte de sua rotina.

Um ponto focal da discussão foi a investigação atual do Ministério Público que se iniciou após a circulação de vídeos, no qual aparece um vereador da base e um representante da Emdec, empresa responsável pela gestão do transporte em Campinas, na sede da Smile. Esse episódio resultou em um forte questionamento em relação à transparência do processo e à conduta dos envolvidos. “As gravações foram incluídas no processo em tramitação no Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE-SP), que já havia suspendido a homologação da licitação devido à descoberta de vínculos suspeitos entre as empresas”, informou Caires, referindo-se aos recentes desdobramentos que impactaram a legalidade do certame.

Investigações em Andamento e Suspensão da Licitação

Além da revelação sobre a reunião com a Smile, o TCE mantém a suspensão da conclusão do processo licitatório, notificando a Prefeitura e a Emdec para prestarem esclarecimentos adicionais até a próxima sexta-feira (19). O secretário, mesmo diante da crise, reafirmou a confiança no processo licitatório. “A equipe já está trabalhando nisso. O que a gente defende com unhas e dentes é que o processo foi bem feito, o processo está redondo”, disse Caires, relativizando as preocupações surgidas. No entanto, o tom do depoimento deixou claro que os envolvidos estão sob pressão para apresentar resultados diante de um cenário de desconfiança crescente.

As medidas tomadas pelo TCE indicam uma tentativa de assegurar a lisura do processo, no qual foram apontados laços entre as empresas participantes, evidenciando a complexidade do problema. A paralisação das atividades pode ter repercussões diretas sobre o funcionamento do transporte público em Campinas, afetando a população que depende desse serviço. “A gente trabalha com o melhor cenário, que é o Tribunal de Contas e a Justiça soltarem a licitação”, enfatizou Caires enquanto tentava manter a confiança na continuidade do processo licitatório.

O Leilão do Sistema de Transporte e Seus Desdobramentos

O leilão em questão, com um valor estimado de R$ 11 bilhões e uma concessão que irá durar 15 anos, foi projetado como uma resposta à crescente demanda e à melhoria do sistema de transporte na cidade. As empresas Sancetur e o Consórcio Grande Campinas foram as vencedoras, cada uma responsável por diferentes lotes do sistema, oferecendo tarifas com deságios que buscavam tornar o transporte mais eficiente e acessível à população. As propostas vencedoras apresentaram significativa redução em relação ao teto estabelecido na licitação, o que levantou questões sobre a viabilidade e sustentabilidade do sistema a longo prazo.

Após a fase de leilão, um total de quatro consórcios e uma empresa participaram, com destaque para a concorrência acirrada pelo Lote Norte, que abrange áreas de grande demanda como Barão Geraldo e Campo Grande. As empresas, no entanto, ainda não assumem a gestão do sistema, pois há uma série de etapas legais a serem cumpridas antes do início das operações efetivas.

Próximos Passos e Implicações Futuras

Com a suspensão do leilão e as investigações em curso, o futuro do transporte público em Campinas permanece incerto. A Prefeitura de Campinas, junto com a Emdec, terá a responsabilidade de esclarecer as questões levantadas pelo TCE e pelo MP. As implicações deste caso poderão reverberar na confiança do público nos processos licitatórios, especialmente em contratos de alto valor como os que envolvem o sistema de transporte.

Diante da complexidade da situação, é essencial que a transparência prevaleça nas investigações e que as autoridades competentes, como o Ministério Público e o TCE, atuem rigorosamente para garantir que quaisquer irregularidades sejam devidamente apuradas. A população de Campinas, que depende deste serviço fundamental, merece um transporte público eficiente, seguro e, acima de tudo, conduzido com integridade e respeito às normas legais.

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