Campo Grande (MS) — Uma grande operação desencadeada pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul resultou na prisão do ex-secretário de Obras de Campo Grande, Rudi Fiorese, em uma ação que investiga desvios de recursos públicos relacionados a contratos de tapa-buracos, que podem somar até R$ 113 milhões. A Operação Buraco Sem Fim, deflagrada nesta terça-feira (12), também levou à exoneração de Fiorese do cargo de diretor-presidente da Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos (Agesul).

A decisão de exoneração foi oficializada através de um decreto divulgado pelo governador Eduardo Riedel, que, por meio da Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística, afirmou que a investigação diz respeito a contratos assinados durante a gestão anterior na prefeitura de Campo Grande. O MPMS apontou que foram cometidas fraudes em medições para justificar pagamentos por serviços que não foram realizados, evidenciando um esquema complexo que inclui outras seis prisões de envolvidos, como Edvaldo Aquino, coordenador das ações de tapa-buracos na cidade, e Antonio Bittencourt, proprietário da Construtora Rial LTDA.

Qual a motivação dos desvios em Campo Grande?

De acordo com relatórios do Ministério Público, a investigação apura irregularidades ocorridas entre 2018 e 2025, quando os contratos para manutenção de vias pavimentadas foram firmados. O MPMS alegou que o grupo fraudou medições a fim de justificar pagamentos indevidos, levando a um prejuízo estimado de R$ 113 milhões. A operação encontrou R$ 429 mil em dinheiro durante a execução dos mandados de busca e apreensão, demonstrando a gravidade do esquema criminoso.

A operação é um desdobramento da Operação Cascalhos de Areia, lançada em 2023, que também investigou desvios de R$ 300 milhões em contratos de máquinas e manutenção de vias não pavimentadas, ligando novamente os nomes de Rudi Fiorese e outros servidores à suposta corrupção na administração pública.

O que diz a defesa de Rudi Fiorese?

A defesa de Rudi Fiorese declarou que a prisão preventiva foi “desarrazoada” e criticou a falta de acesso aos autos do processo, apontando que isso compromete o direito à ampla defesa. Os advogados do ex-secretário informaram que pretendem buscar a libertação dele através de recursos judiciais. Eles argumentam que a história profissional de Fiorese até o momento não condiz com as acusações que pesam sobre ele, destacando sua trajetória em cargos públicos.

Outros indivíduos detidos na operação incluem o engenheiro Mehdi Talayeh, e servidores da Sisep, como Erick Antônio Valadão de Paula e Fernando de Souza Oliveira. A quantidade significativa de dinheiro apreendida indica que os envolvidos possessivelmente tinham plena ciência das atividades ilícitas em que estavam engajados.

Como a Prefeitura de Campo Grande se posicionou?

Em nota oficial, a Prefeitura de Campo Grande esclareceu que os contratos investigados são de gestões passadas, enfatizando que a administração atual não possui relação com as irregularidades apuradas. A declaração visa ressaltar a transparência e lisura do atual governo, que se comprometeu a acompanhar o desenrolar da investigação e a apoiar as medidas cabíveis para a apuração dos fatos.

Conforme a secretaria, é fundamental garantir que os responsáveis por atos de corrupção sejam responsabilizados, independentemente de suas posições. “A Seilog, comprometida com a transparência, acompanha a situação e já tomou as medidas necessárias, incluindo a exoneração do servidor envolvido”, informou a nota.

Quais as consequências legais para os envolvidos?

As penas para crimes de corrupção podem variar amplamente, dependendo da gravidade dos atos e dos valores envolvidos. De acordo com o Código Penal brasileiro, o crime de corrupção ativa pode levar a penas que vão de três a cinco anos de reclusão, além de multa. O caso em questão, devido à grande quantidade de recursos públicos desviados, pode culminar em severas sanções legais para todos os acusados.

Este caso evidencia também a necessidade urgente de um aprimoramento das práticas de controle e fiscalização na administração pública de Campo Grande. Para a redação do Diário do Estado, este caso evidencia não apenas o ato de corrupção em si, mas também a fragilidade de sistemas destinados a proteger o patrimônio público em um estado que já enfrentou outros escândalos de corrupção.

O que esperar das investigações em Campo Grande?

A expectativa é que as investigações se aprofundem à medida que novos detalhes possam surgir nos próximos dias. A Polícia e o Ministério Público devem continuar a ouvir testemunhas e analisar provas coletadas para fortalecer o caso contra os envolvidos. A sociedade civil e o setor público estão atentos a este caso que pode evidenciar a extensão da corrupção nas esferas de governo.

Nossa equipe do Diário do Estado esteve em contato com especialistas em combate à corrupção, que destacaram a importância da operação no contexto atual. Eles argumentam que a atuação rigorosa das autoridades é essencial para combater a impunidade e restaurar a confiança da população nas instituições públicas. Acompanhemos juntos os próximos desdobramentos deste importante caso em Campo Grande, que certamente afetará a percepção sobre a gestão pública na região.