Campo Grande (MS): Obras na antiga rodoviária se arrastam desde 2022 e preocupam moradores e comerciantes

Campo Grande (MS): Obras na antiga rodoviária se arrastam desde 2022 e preocupam moradores e comerciantes

Campo Grande (MS) — A revitalização da antiga rodoviária de Campo Grande se arrasta desde 2022, com mais de R$ 18 milhões já investidos e sem uma previsão clara para a conclusão do projeto. Esta situação gera preocupação entre os comerciantes locais, que temem a falta de segurança e a impossibilidade de atrair novos investimentos para a área.

Com 59% das obras finalizadas, de acordo com dados do Portal Mais Obras, o abandono do espaço, que foi inaugurado na década de 1970, aumenta a insegurança entre moradores e frequentadores da região, um problema que tem se intensificado nos últimos anos. Inicialmente, as obras tinham previsão de término em um ano, com um orçamento de R$ 16,5 milhões, mas o atraso na entrega e o aumento de custos desmontaram as expectativas de comerciantes que esperam o retorno do movimento na área.

Qual a motivação para os atrasos nas obras em Campo Grande?

Iniciadas em junho de 2022, as obras da antiga Estação Rodoviária Heitor Eduardo Laburu já enfrentam múltiplas prorrogações. O contrato inicial, que visava a revitalização da área pública do complexo, incluindo o antigo terminal do transporte coletivo e as calçadas, não se concretizou no tempo previsto. O projeto ambicioso contempla a substituição dos pisos, reforma das redes elétrica e hidráulica, recuperação das estruturas das lajes, além da construção de um estacionamento no local onde antes funcionava o terminal urbano.

Comerciante local, Seriberto Henrique, expressa sua frustração: “Quatro anos de espera. A gente está frustrado. As expectativas foram todas frustradas em razão de todo esse tempo.” Para ele, a situação visual representa uma desestímulo contínuo para novos negócios.

A empresária Heloisa Cury, que também reclama da prolongação da obra, destaca que a desconfiança em relação ao poder público afeta a atração de novos investidores. “Estamos trazendo empresários para cá e eles falam: ‘Eu não confio no poder público’. Se já atrasou quatro anos, quem garante que vai entregar a obra?”

O que dizem os especialistas sobre a revitalização e a segurança em Campo Grande?

A segurança pública é outro ponto crítico na região. De acordo com dados do G1, comerciantes enfrentam o aumento de furtos e a presença de pessoas em situação de rua, o que contribui para a sensação de insegurança no local. O síndico do condomínio comercial ressaltou que, mesmo com patrulhamentos da Guarda Civil Metropolitana e da Polícia Militar, a presença desses problemas persiste, intimidando os consumidores e complicando a recuperação do comércio local.

Para a redação do Diário do Estado, este caso evidencia a necessidade de uma abordagem multifacetada para resolver a degradação urbana e a insegurança que afeta os moradores e comerciantes. Especialistas alertam que a revitalização deve ser acompanhada de políticas de segurança pública eficientes e pela ocupação eficaz do espaço urbano.

Como os comerciantes estão lidando com a situação em Campo Grande?

Mesmo diante de tantas dificuldades, há empresários que insistem em investir. Pedro da Cruz, que possui 11 salas comerciais, destacou que já reformou quatro delas e espera reabrir assim que a obra pública terminar. “Estamos apostando na revitalização. Quando a prefeitura entregar a obra, estaremos praticamente com todas as lojas prontas para abrir e receber os clientes”, disse Pedro, mostrando otimismo em meio ao caos.

O relojoeiro Saúl Danielson, que permaneceu na área durante o período de maior abandono, afirmou que a perseverança é fundamental. “Estamos na luta e acreditando que o prédio terá um novo rumo daqui para frente”. Sua determinação demonstra a resiliência dos comerciantes que ainda acreditam em uma mudança positiva na dinâmica da região.

Quais são os próximos passos para as obras em Campo Grande?

Recentemente, o Ministério Público de Mato Grosso do Sul instaurou um procedimento para investigar possíveis irregularidades nas obras, olhando especificamente para os atrasos e os aditivos no contrato. A entrega da revitalização estava prevista para junho de 2026, mas os comerciantes continuam em dúvida e aguardam ansiosamente uma atualização sobre o status das obras.

A antiga rodoviária ocupa uma área de aproximadamente 30 mil metros quadrados, sendo mais de 5 mil de propriedade municipal e o restante pertencente ao condomínio comercial. Com o novo projeto, a expectativa é que o espaço abrigue a Fundação Social do Trabalho (Funsat) e uma base da Guarda Civil Metropolitana após a finalização.

Nossa reportagem esteve no local e conversou com moradores e comerciantes, que relataram medo e indignação diante da atual situação. O Diário do Estado continuará acompanhando o andamento das obras e esclarecerá qualquer nova informação que surja nesse contexto, focando na expectativa de que a revitalização finalmente devolva a segurança e o comércio à área central de Campo Grande.

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