Campo Grande (MS) — Terreno abandonado no bairro Parque dos Laranjais gera preocupação entre moradores, que relatam riscos à saúde e segurança.
Em Campo Grande, a situação de terrenos abandonados se tornou um problema crescente. No bairro Parque dos Laranjais, um local específico na Avenida Presidente Vargas tem chamado a atenção dos moradores. Eles relatam que a falta de manutenção tem contribuído para o acúmulo de lixo, aumento da vegetação e até a presença de animais peçonhentos, como cobras e aranhas, criando um ambiente propício para doenças.
Rodrigo Leal Pereira, morador da região, expressou sua preocupação. “Este terreno está abandonado há mais de um ano. A situação se agravou devido à falta de cuidados por parte do proprietário”, relatou. Ele acrescenta que o mato alto tem invadido a calçada, dificultando a passagem dos pedestres e provocando um aumento no sentimento de insegurança entre as famílias que residem nas proximidades.
Por que a situação em Campo Grande preocupa tanto?
De acordo com os relatos dos moradores, a presença de mato alto e lixo não afeta apenas a aparência do bairro, mas também representa um risco significativo à saúde pública. Um dos principais problemas é o aumento da proliferação de mosquitos, que podem transmitir doenças como a dengue. Rodrigo comenta que “mosquitos não param de entrar dentro de casa, e isso é preocupante, especialmente para quem tem crianças.”
Além disso, a presença de animais peçonhentos como cobras e lacraias tem sido uma constante. Há registros de serpentes entrando nas residências dos moradores, aumentando o medo e a ansiedade entre as famílias. Em uma recente reunião de moradores, muitos compartilharam experiências preocupantes envolvendo a presença desses animais em suas casas.
A situação é agravada pelo descarte irregular de lixo. Segundo dados da prefeitura, o tamanho do problema deve ser abordado de forma mais rigorosa. “Até animais mortos já foram abandonados no terreno. Isso não é apenas uma questão de estética, é uma ameaça à saúde de todos nós”, desabafou Rodrigo.
Quais são os direitos dos moradores e a resposta do poder público?
Conforme a legislação municipal, proprietários de terrenos que não mantiverem a limpeza adequada podem ser multados. A prefeitura possui um código de postura que prevê penalidades em situações como mato alto, falta de calçada e obstruções na passagem de pedestres. As multas podem variar, dependendo da gravidade da infração.
Para terrenos sem limpeza, as penalidades podem variar de R$ 3.219 a R$ 12.876. A falta de muro ou calçada resulta em uma multa de R$ 32,19 por metro de frente do imóvel. Já o descarte irregular de lixo pode gerar multas que chegam até R$ 11.590,37 em casos considerados prejudiciais à limpeza pública.
Segundo a Prefeitura de Campo Grande, as ações de fiscalização estão previstas para serem intensificadas na região, a fim de garantir que as normas sejam seguidas. “Precisamos garantir a saúde pública e a segurança dos moradores. A situação nos terrenos abandonados deve ser tratada com urgência”, afirmou um representante da Secretaria de Saúde do município.
Quais são as implicações legais para os proprietários em Campo Grande?
O que muitos moradores não sabem é que a legislação estadual também prevê mecanismos para responsabilização civil dos proprietários por não cuidarem de seus terrenos. Se um morador de uma casa próxima sofrer algum dano devido à presença de animais perigosos ou doenças transmitidas por mosquitos, ele pode buscar reparação judicial contra o proprietário do terreno. A comunidade está se mobilizando para informar a todos sobre seus direitos e como proceder em situações de abandono.
Para a redação do Diário do Estado, este caso evidencia uma falha na responsabilidade dos cidadãos sobre a manutenção de seus imóveis, resultando em riscos diretos à saúde pública. A situação de Campo Grande não é única, com várias cidades pelo Brasil enfrentando problemas semelhantes.
O que os moradores esperam para o futuro em Campo Grande?
Os moradores pedem mais atenção das autoridades e a implementação de ações urgentes. Eles se reuniram em uma assembleia e, em conjunto, decidiram formalizar um abaixo-assinado que será enviado à prefeitura. “Queremos que o terreno seja limpo e que o proprietário assuma suas responsabilidades. Estamos cansados de esperar”, afirmou Rodrigo.
A comunidade também está atenta a outras situações semelhantes na cidade. Em outros bairros, histórias de terrenos abandonados e sua relação direta com a saúde pública têm gerado mobilizações. “Não podemos permitir que situações como essa continuem. Precisamos de um comprometimento real do poder público”, adicionou um outro morador, que preferiu não se identificar.
Nossa reportagem esteve no local e pode observar de perto a situação, conversando com moradores que demonstraram um grande descontentamento. O Diário do Estado seguirá acompanhando o desenrolar dessa situação em Campo Grande, trazendo atualizações à medida que novas informações forem disponibilizadas pela prefeitura e por grupos de moradores. A saúde e segurança da comunidade dependem da ação conjunta de todos.



