Câncer de intestino: 67% dos brasileiros ignoram exames essenciais

Câncer de intestino: 67% dos brasileiros ignoram exames essenciais

Uma pesquisa recente realizada pelo A.C.Camargo Cancer Center em parceria com a Nexus revelou que 67% dos brasileiros não conhecem o exame de sangue oculto, um teste fundamental para a detecção precoce do câncer de intestino. Este cenário é alarmante, especialmente considerando que o Instituto Nacional de Câncer (Inca) projeta aproximadamente 53.810 novos casos da doença no Brasil entre 2026 e 2028. A falta de conscientização sobre os métodos preventivos e de diagnóstico se destaca, mesmo diante do reconhecimento da gravidade dos sintomas por grande parte da população.

A pesquisa, que entrevistou cerca de 2.015 pessoas em todo o Brasil entre 25 e 30 de junho, revelou que muitos entrevistados, apesar de perceberem os sinais do câncer colorretal, como a presença de sangue nas fezes e alterações no funcionamento do intestino, não buscam ajuda médica. O estudo aponta que 75% dos participantes afirmaram nunca ter tido contato com um paciente diagnosticado com essa condição, ignorando assim a possibilidade de risco.

Por que as pessoas desconhecem o exame de sangue oculto?

O exame de sangue oculto nas fezes é um teste simples e eficaz, mas apenas 11% dos entrevistados já o realizaram. Com uma pequena parcela de 21% que conhece o exame mas nunca o fez, evidencia-se um grave problema de conscientização. Muitas pessoas, incluindo 40% dos que notaram sangue nas fezes, não buscaram um médico imediatamente, indicando que a percepção de risco não se traduz em ação.

Esta hesitação é ainda mais acentuada entre os homens, que demonstram maior negligência em relação à saúde em comparação com as mulheres. Apenas 54% dos homens buscam ajuda médica ao notar sintomas preocupantes, enquanto essa taxa é de 63% entre as mulheres. Além disso, 76% dos homens desconhecem o exame preventivo. Essa diferença de comportamento revela a necessidade de campanhas direcionadas que abordem os homens e promovam a saúde preventiva.

Quais os sintomas que demandam atenção imediata?

O câncer de intestino é o segundo tipo de tumor mais comum no Brasil e frequentemente inicia sem sintomas perceptíveis, através de lesões benignas conhecidas como pólipos. Sintomas que requerem atenção incluem: presença de sangue nas fezes, dor abdominal, alteração do ritmo intestinal por mais de um mês e perda de peso inexplicada. É crucial que a população esteja ciente de que apenas 4% dos casos de câncer colorretal têm origem genética, enquanto a maioria dos casos é relacionada a fatores de estilo de vida, incluindo alimentação inadequada e sedentarismo.

Médicos recomendam que o rastreamento do câncer colorretal comece aos 45 anos, sendo a colonoscopia o exame padrão para diagnóstico e remoção de pólipos antes que se tornem cancerosos. O diagnóstico precoce é vital, pois as taxas de cura aumentam drasticamente quando a doença é identificada em estágios iniciais, reforçando a importância de exames regulares e da busca por orientação médica ao notar quaisquer sintomas.

Como o governo brasileiro está agindo para melhorar a detecção precoce?

Em resposta a essa realidade preocupante, o Ministério da Saúde anunciou em maio a implementação do FIT (Teste Imunoquímico Fecal) como um novo exame de referência no Sistema Único de Saúde (SUS). Essa estratégia visa ampliar o acesso à prevenção entre homens e mulheres com idades entre 50 e 75 anos que não apresentam sintomas. O novo teste é altamente sensível, com capacidade de identificação de 85% a 92% de alterações no intestino, abandonando a necessidade de dietas restritivas.

O FIT destaca-se pelo seu método simplificado, onde o paciente pode coletar material em casa e enviá-lo para análise, representando um avanço significativo na detecção de pequenas quantidades de sangue oculto. Se for detectado sangue, o paciente é direcionado para uma colonoscopia, permitindo intervenções precoces que evitam a progressão da doença e economizam recursos para o sistema de saúde.

A pesquisa do A.C.Camargo Cancer Center ressalta a urgência de campanhas educativas para aumentar a conscientização da população sobre câncer colorretal e a importância da prevenção. Os especialistas enfatizam que a população deve adotar uma postura proativa em relação à saúde, evidenciando que a educação e o acesso facilitado a exames podem salvar vidas.

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