O centenário incerto de Canhoto da Paraíba, ás do violão invertido que legou
obra expressiva para o instrumento
Data de nascimento do músico ainda é alvo de imprecisões, com versões que vão de
1926 a 1929.
O violonista Canhoto da Paraíba (1926? – 2008) em ilustração feita para a
capa de álbum de 1977 — Foto: Reprodução
Ninguém questiona a genialidade de Francisco Soares de Araújo, o violonista
conhecido como Chico Soares ou, mais frequentemente, como Canhoto da Paraíba,
nome artístico que alude ao fato de o compositor e músico ter nascido no sertão
de Princesa Isabel (PB), município do interior da Paraíba, em família musical (o
avô tocava clarinete e o pai, violão).
Já a data de nascimento do artista sempre foi motivo de discussão. Tudo indica
que foi em um dia 19 de março. Mas o ano é motivo de controvérsias. Há quem
aponte que Francisco veio ao mundo em 1926, há quem sustente que ele teria
nascido em 1927 e há quem crave que o ano correto é 1928. Há ainda uma quarta
versão (talvez a mais crível) de que o próprio Canhoto teria dito que a data
certa é 19 de março de 1929.
O fato é que o violonista morreu em 24 de abril de 2008, em Paulista (PE),
município de Pernambuco. Como não se pode afirmar com precisão a data de
nascimento do artista, o centenário de Canhoto da Paraíba se torna indefinido,
impreciso. Várias fontes cravam que Canhoto é de 1926 e, portanto, 2026 seria o
ano do centenário do artista.
Contudo, paira a dúvida. O que dificulta as merecidas homenagens a esse
violonista cujo toque invertido impressionou ases como Jacob do Bandolim (1918 –
1969), Radamés Gnattali (1906 – 1988) e Paulinho da Viola, sambista chorão que
compôs música em tributo a Canhoto, “Abraçando Chico Soares”, choro apresentado
pelo bamba carioca em álbum de 1971.
Francisco era canhoto, mas não inverteu as cordas do violão para poder tocar o
instrumento. Ele virava era o próprio violão. Como compositor, Canhoto da
Paraíba deixou obra autoral diferenciada pelo toque nordestino que imprimiu em
choros e valsas.
O violonista morreu em 2008, mas a rigor saiu de cena dez anos antes, impedido
de tocar por conta de AVC sofrido em 1998. Foi o acorde final de trajetória
profissional iniciada em 1952, inicialmente em João Pessoa (PB) e, mais tarde,
no Recife (PE).
Foi na capital de Pernambuco que o violonista autodidata mais exerceu o ofício
que somente lhe daria certa projeção nacional em 1977, ano em que o admirador
Paulinho da Viola produziu um álbum referencial do músico, “Canhoto da Paraíba –
O violão brasileiro tocado pelo avesso”.
O disco simbolizou capítulo decisivo em história protagonizada por Canhoto da
Paraíba como excepcional violonista de toque invertido e como notável compositor
de choros feitos para o violão. Por isso, por mais que seja incerto o ano do
centenário do artista, é preciso louvar o legado de Canhoto da Paraíba.




