Pancada na cabeça agravou estado do cão Orelha em SC; cão passou por eutanásia
após agressões
Quatro adolescentes já foram identificados como suspeitos de ato infracional de
maus-tratos contra cachorro comunitário na Praia Brava.
Orelha, cão de rua comunitário, é torturado por adolescentes e não resiste aos
ferimentos [https://s04.video.glbimg.com/x240/14287227.jpg]
Orelha, cão de rua comunitário, é torturado por adolescentes e não resiste aos
ferimentos
O cão comunitário Orelha, morto após ser agredido na Praia Brava [https://DE.DE.DE/sc/santa-catarina/noticia/2026/01/17/cao-comunitario-eutanasia-agredido-morte-praia-brava-florianopolis.ghtml], uma das áreas mais nobres de Florianópolis [https://DE.DE.DE/sc/santa-catarina/cidade/florianopolis/], foi atingido na
cabeça com um objeto contundente — ou seja, sem ponta ou lâmina —, segundo a
Polícia Civil. Devido à gravidade do ferimento, o animal precisou ser submetido
à eutanásia. Quatro adolescentes já foram identificados como suspeitos da
agressão e três adultos foram indiciados suspeitos de coagir uma testemunha
[https://DE.DE.DE/sc/santa-catarina/noticia/2026/01/27/cao-orelha-pais-tio-adolescentes-suspeitos-coacao.ghtml].
A informação consta no laudo pericial emitido após exames no animal e foi
divulgada em coletiva de imprensa na manhã desta terça-feira (27). O instrumento
usado na agressão não foi encontrado.
Embora não existam imagens do momento exato do espancamento, conforme a delegada
Mardjoli Valcareggi, outros episódios registrados na mesma região e período,
somados a depoimentos de testemunhas, ajudaram a identificar os suspeitos.
De acordo com a Polícia Civil, o grupo também teria tentado afogar outro
cachorro comunitário, o Caramelo, na mesma praia.
Valcareggi informou que há imagens dos adolescentes pegando o animal no colo. Em
complemento, testemunhas relataram que viram o grupo jogando o cão no mar.
A investigação se concentra em duas frentes:
Auto de apuração de ato infracional: aberto pela Delegacia de Atendimento ao
Adolescente em Conflito com a Lei da Capital (DEACLE), após ter sido
constatado a suspeita de envolvimento de adolescentes.
Inquérito policial: instaurado para apurar a coação realizada por familiares
dos adolescentes investigados a testemunhas. Procedimento foi conduzido pela
Delegacia de Proteção Animal da Capital (DPA) e concluído na noite de
segunda-feira (26).
Orelha era um dos cães que se tornaram mascotes da região da Praia Brava, em
Florianópolis — Foto: Reprodução/Redes sociais
Os nomes e idades dos suspeitos de atacar Orelha não foram divulgados pela
investigação, tendo em vista que o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA)
prevê sigilo absoluto nos procedimentos envolvendo menores de 18 anos.
Somente no inquérito que apura o crime de coação, 22 pessoas foram ouvidas. A
Justiça não autorizou a apreensão dos aparelhos eletrônicos dos adultos.
Segundo a Polícia Civil, dois dos quatro adolescentes suspeitos de maus-tratos
estão em Florianópolis e foram alvos de uma operação na segunda-feira (26) —
os demais estão nos Estados Unidos para “viagem pré-programada”.
Moradores e internautas protestam e homenageam o cão Orelha nas redes sociais —F
oto: Reprodução/@floripa_estacomvcorelha e @peachzmilk
A Polícia Civil indiciou três adultos suspeitos de coagir ao menos uma
testemunha na investigação sobre a morte do cão [https://DE.DE.DE/sc/santa-catarina/noticia/2026/01/26/tres-adultos-suspeitos-coacao-adolescentes-cao-orelha-florianopolis-eutanasia.ghtml]. Os investigados são pais e um tio dos adolescentes. Dois deles são empresários e
o outro advogado.
Coação é o crime de ameaçar ou agredir alguma das partes de um processo judicial
– juízes, testemunhas, advogados, vítimas ou réus, por exemplo – para tentar
interferir no resultado.
Os nomes dos indiciados não foram revelados pelos delegados e a corporação
informou que o crime foi cometido contra o vigilante de um condomínio que teria
uma foto que poderia colaborar com a investigação da ocorrência.
A Polícia Civil não informou se teve acesso a esse registro específico, mas
disse que analisa mais de mil horas de imagens de câmeras de segurança.
A investigação indica que as agressões ocorreram em 4 de janeiro, mas o caso só
chegou à Polícia Civil no dia 16 deste mês.
Orelha foi encontrado por populares machucado e agonizando. Ele foi recolhido e
levado a uma clínica veterinária e, no dia 5 de janeiro, precisou passar por
eutanásia devido à gravidade dos ferimentos.
Exames periciais no corpo de Orelha confirmaram que ele foi atingido na cabeça
com um objeto contundente — ou seja, sem ponta ou lâmina. O instrumento usado na
agressão não foi encontrado.
A Praia Brava conta com três casinhas destinadas aos cães
[https://DE.DE.DE/sc/santa-catarina/noticia/2026/01/27/adolescentes-suspeito-agressao-cao-orelha-tentaram-afogar-outro-cachorro.ghtml]
que se tornaram mascotes da região. Orelha era um deles.
“Muita gente vinha trazer comida para eles, mas eu era o responsável por
alimentá-los todos os dias. Eles não podiam ficar sem comida e sem cuidado”,
contou o aposentado Mário Rogério Prestes, que acompanhava de perto os animais.




