Caravelas-portuguesas causam mais de 500 queimaduras em um dia na Praia do Cassino, RS: saiba como agir

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Caravelas-portuguesas causam mais de 500 queimaduras em um dia em praia do RS; saiba o que fazer em caso de contato com a pele

Ao total, dez pessoas precisaram ser encaminhadas atendimento médico na Praia do Cassino, sendo nove em estado moderado. O caso mais sério é o de uma menina de 12 anos, que sofreu queimaduras no tórax.

Um pico de queimaduras por caravelas-portuguesas e águas-vivas atingiu a Praia do Cassino, em Rio Grande, no Sul do RS, nesta semana. Durante o feriado de Iemanjá, os guarda-vidas registraram 576 casos.

Ao todo, dez pessoas precisaram ser encaminhadas para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Cassino, sendo nove em estado moderado. O caso mais sério é o de uma menina de 12 anos, que sofreu queimaduras no tórax.

A caravela-portuguesa é um organismo marinho pertencente ao grupo dos cnidários, o mesmo das águas-vivas, e é frequentemente encontrada em águas quentes, como as do Nordeste brasileiro. Ela se destaca por ser mais agressiva que outras espécies, possuindo células urticantes que liberam um veneno com potente ação neurotóxica, capaz de afetar o sistema nervoso e a musculatura. O contato com a caravela-portuguesa causa uma lesão de pele extremamente dolorida, cujas marcas podem durar semanas ou até meses.

Segundo o professor de oceanografia da Universidade Federal do Rio Grande (FURG), Renato Nagata, a aparição das caravelas está relacionada à ação de correntes marítimas e ventos que sopram do oceano para a costa.

Nagata ressalta que, embora a quantidade de caravelas não seja recorde, o alto número de banhistas na praia resultou em mais acidentes. “Esse ano não é um ano com uma grande incidência de caravelas, porém, devido ao grande número de banhistas que estavam na praia durante esses últimos dias, houve um aumento significativo no número de acidentes”, disse.

As caravelas são mais comuns em áreas tropicais do Brasil, como o Norte e o Nordeste. A ocorrência no Sul está ligada a fatores oceanográficos e meteorológicos. O último ano com grande incidência de caravelas na região foi 2022.

O prognóstico, no entanto, é que a presença desses animais se torne mais comum no futuro devido às mudanças climáticas. “Nós estamos num processo de mudanças climáticas em que animais de regiões tropicais tendem a ocorrer de uma forma mais frequente em áreas temperadas e subtropicais como a nossa região. Infelizmente, o prognóstico é de que essas espécies passem a ocorrer com mais frequência no Sul do Brasil”, afirmou Nagata.

Os guarda-vidas orientam a população a não tocar nas caravelas, nem mesmo quando os animais estiverem encalhados na areia da praia. Em caso de queimadura, a recomendação é não esfregar a pele, retirar os tentáculos que possam ter ficado presos com a ajuda de um objeto rígido, como um cartão, e aplicar vinagre no local para neutralizar a toxina. Se a vítima apresentar sintomas mais graves, como febre, vômitos ou desmaio, deve procurar atendimento médico imediatamente.

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