Carnaval de Campinas: história, imagens e transformações ao longo dos anos

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O DE reuniu imagens e marcos que registram a história dos festejos na metrópole.

Uma festa que atravessou séculos, mudou de formato e segue se reinventando. Das festas da elite aos blocos descentralizados, o Carnaval de Campinas (SP) reflete transformações sociais, políticas e culturais.

Nesta reportagem, o DE reúne fotos e uma linha do tempo sobre a trajetória da folia na metrópole desde sua origem, no século XIX, até a sua expansão pelas regiões periféricas. Confira os detalhes a seguir.

O DE ATÉ 1850: FESTA RESTRITA ÀS ELITES

Até 1850, o carnaval em Campinas seguia o padrão brasileiro da época: era típico das classes mais ricas. A festa ficava restrita ao reduto das grandes famílias, enquanto os grupos mais pobres aproveitavam para ganhar renda extra confeccionando bolinhas de água.

Em entrevista ao DE em 2016, a jornalista Thalita Gallucci, uma das autoras do livro “Pra tudo se acabar em Carnaval”, ao lado de Luís Ricardo Vieira, contou que o carnaval era uma reunião de rapazes brancos que saíam às ruas para atirar as tais bolinhas.

O DE 1907: PROIBIÇÃO NAS RUAS E MODELO EUROPEU

No começo do século XX, a elite, com apoio da imprensa, fez campanha para acabar com o Carnaval de rua, chamado de Entrudo.

Em 1907, o secretário de Segurança proibiu as festas e o modelo considerado “carnaval de verdade” passou a ser o europeu, ao estilo veneziano: bailes luxuosos no teatro da cidade e em clubes.

O DE DÉCADAS DE 1940 A 1960: AUGE DOS BLOCOS

Nas décadas seguintes, os blocos de rua ganharam força. Um dos mais conhecidos foi o “Nem Sangue Nem Areia”, que foi criado na década de 1940 e celebrou 80 anos em 2026.

Entre as décadas de 1950 e 1960, chegou a percorrer 20 quilômetros, da Vila Industrial ao Bonfim, passando pelo Centro. Foi o auge dos blocos, que conviviam com os carnavais de clube.

O DE ANOS 1950: ESCOLAS DE SAMBA AO ESTILO CARIOCA

A partir dos anos 1950, começaram a surgir escolas de samba que seguiam o modelo do Rio de Janeiro. O coronel Rodolpho Petená recebeu a função de organizar os desfiles. Mesmo sem verbas públicas, carnavalescos buscavam inspiração na folia carioca.

Na década de 1960, mesmo com o Carnaval vetado desde 1964 após o Golpe Militar, prefeitos apoiavam o modelo das escolas, visto como mais fácil de controlar do que os blocos. Entre as agremiações que fizeram história estão Acadêmicos do Ubirajara e Estrela d’Alva.

O DE 2016: CRISE E CANCELAMENTO OFICIAL

Em dezembro, a administração municipal confirmou o cancelamento do Carnaval de rua de 2016 por problemas financeiros..
Com a decisão, não houve desfile das escolas, nem trios elétricos ou apresentações promovidas pelo município. A prefeitura manteve apoio com estrutura de banheiros e segurança para blocos organizados pela população.

DE PÓS-PANDEMIA: EXPANSÃO PARA AS PERIFERIAS

Tradicionalmente concentrados em Barão Geraldo, Sousas, Joaquim Egídio e no Centro, os blocos começaram a se expandir por outras regiões da cidade nos últimos anos, especialmente na periferia, após a pandemia da Covid-19.

Em 2025, o número de bairros e distritos com blocos subiu para 26, contra 22 em 2024. Os eventos passaram de 50 para 60. Regiões como São Bernardo, Novo Campos Elíseos, Vila União, Vila Georgina, CarnaDIC e Satélite Íris I passaram a integrar o circuito.

Apesar de Barão Geraldo, Sousas, Joaquim Egídio e Centro ainda concentrarem metade das festas, a proporção diminuiu nos últimos anos. Segundo o diretor de Cultura, Gabriel Rapassi, o Carnaval está “cada vez mais diurno e descentralizado”, fortalecendo a cultura local.

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