A presença de carros elétricos chineses na Argentina tem crescido significativamente, especialmente depois que a BYD entrou para as 10 maiores montadoras no país em 2023. Esta tendência se alinha com a estratégia do presidente Javier Milei, focada na redução da inflação, apesar das tentativas dos EUA de afastar Buenos Aires de laços com Pequim.
O avanço da BYD é evidente com suas concessionárias chamativas espalhadas por todo o território argentino. Outras marcas como BAIC, MG e Chery também têm prosperado, apoiadas por políticas de importação que beneficiam os veículos elétricos chineses. Milei criou uma cota anual de importação, livre de tarifas, para 50 mil veículos elétricos, o que favorece estas montadoras.
A trajetória ascendente dos veículos chineses evidenciou-se quando a Argentina ultrapassou o Brasil como principal origem das importações em 2023. Marcas tradicionais estão sendo desafiadas, com a BYD já superando Jeep, Honda e Nissan, e vendendo mais de 8,2 mil veículos neste ano. A Tesla, de Elon Musk, ainda não possui concessionárias próprias na Argentina.
Milei tem promovido a abertura econômica da Argentina, históricamente protecionista, o que permitiu que fabricantes chineses aproveitassem estas oportunidades. Patricio Giusto, diretor do Observatório Sino-Argentino, destacou que os EUA não impuseram restrições rígidas ao comércio com a China, facilitando esse avanço.
O efeito das políticas de Milei na indústria automotiva local gerou controvérsia. Enquanto adversários políticos criticam o impacto na indústria nacional, o governo aponta a chegada de sedãs e SUVs chineses como uma solução para estimular a concorrência e baixar custos.
De fato, o custo relativo para se comprar um carro caiu 26% desde que Milei assumiu, com preços ainda mais baixos na região de Buenos Aires em junho, um feito notável em um país que enfrenta inflação elevada. As concessionárias da BYD têm atraído muitos clientes curiosos, como aponta Iker Rosales, vendedor da marca em Buenos Aires.
Esses visitantes chegam desconfiados, mas se surpreendem positivamente após testarem os veículos, segundo Rosales, que era funcionário da Peugeot antes de se juntar à BYD. Ele acredita que os modelos chineses vieram para transformar o mercado e posicionar-se como líderes na região.
A longo prazo, os investimentos no setor automotivo argentino podem favorecer uma maior integração com a economia global, apoiada tanto por políticas governamentais como por novas estratégias empresariais. A crescente presença dos veículos chineses reforça a intenção do governo de atrair mais players internacionais para o mercado local.





