Caso Benício: Médica paga por vídeo adulterado

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Caso Benício: Perícia em celular revela negligência de médica

A defesa da médica Juliana Brasil, investigada no caso da morte do menino Benício Xavier de Freitas, pediu o afastamento do delegado Marcelo Martins de Almeida Silva, responsável pelo inquérito. O pedido foi protocolado nesta terça-feira (24) e aponta que o delegado teria divulgado informações sigilosas à imprensa e feito declarações sem respaldo técnico sobre provas ainda não periciadas.

Benício morreu em 23 de novembro, após receber adrenalina na veia durante atendimento hospitalar.

De acordo com a investigação, a via e a dosagem prescritas não eram indicadas para o quadro clínico da criança. Após a aplicação, o menino sofreu múltiplas paradas cardíacas e não resistiu.

O delegado Marcelo Martins disse à Rede Amazônica que não vai se manifestar.

Segundo a defesa, o delegado declarou publicamente que o vídeo apresentado pela defesa seria falso ou adulterado, sem que qualquer perícia oficial tivesse sido realizada. Para a defesa, a postura compromete a imparcialidade da investigação e influencia indevidamente a opinião pública.

O documento também ressalta que nenhuma decisão judicial até o momento se baseou no vídeo questionado, mas sim na ausência dos requisitos legais para prisão preventiva. A defesa acusa o delegado de criar uma narrativa distorcida e de expor indevidamente a imagem da médica.

Os advogados também mencionam uma reportagem publicada pelo DE, em 24 de março de 2026. Nela, o delegado afirmou que Juliana teria “encomendado e pago por vídeo adulterado para justificar erro em prescrição”. Para a defesa, a divulgação desse tipo de informação à imprensa demonstra “forte indício de vazamento indevido de informação protegida por sigilo legal”.

Entre os pedidos, estão:

a apuração de possível violação de sigilo funcional e abuso de autoridade;

a realização de perícia técnica no vídeo, com observância da cadeia de custódia;

e o afastamento do delegado da condução do inquérito.

“Resta configurada a quebra da confiança objetiva necessária à condução imparcial da investigação, circunstância que justifica o reconhecimento da suspeição da Autoridade Policial ou, subsidiariamente, seu afastamento”, afirma o texto.

O caso segue em análise na 1ª Vara do Tribunal do Júri da Comarca de Manaus.

MÉDICA PAGOU POR VÍDEO ADULTERADO

Segundo a Polícia Civil do Amazonas, a médica Juliana Brasil Santos encomendou e pagou pela adulteração de um vídeo para tentar justificar o erro na prescrição de adrenalina durante o atendimento que resultou na morte de Benício. Segundo a investigação, o vídeo foi apresentado pela defesa da médica e sustentava a versão de que a prescrição teria sido resultado de uma falha no sistema do Hospital Santa Júlia.

No entanto, perícias comprovaram que o conteúdo foi manipulado. Mensagens extraídas do celular de Juliana mostram que ela pediu ajuda a colegas e ofereceu dinheiro para que o material fosse produzido.

Em áudios obtidos pela polícia, Juliana afirma que precisava de alguém para editar o vídeo e chega a dizer que “amanhã vai chegar o vídeo pra mim, já alterado”. Para os investigadores, a tentativa de fraude processual reforça a suspeita de dolo eventual no caso, que segue em apuração pelo 24º Distrito Policial.

CONFIRA O QUE SE SABE SOBRE O CASO

QUAL É O PRINCIPAL ERRO APONTADO PELA POLÍCIA?

A polícia aponta erro na prescrição e na aplicação da adrenalina por via intravenosa. O protocolo médico indicaria outra via e dosagem. A aplicação inadequada está associada à rápida piora do quadro clínico da criança.

QUEM SÃO AS PRINCIPAIS INVESTIGADAS?

A médica Juliana Brasil, responsável pela prescrição, e a técnica de enfermagem Raiza Bentes, que aplicou a medicação, são as principais investigadas. As duas foram afastadas das atividades…

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