Caso Gisele: Tenente-coronel diz que dependência financeira agravada por empréstimos impedia divórcio

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O tenente-coronel Geraldo Neto, preso por suspeita de matar a esposa com um tiro na cabeça, afirmou à Polícia Civil que a dependência financeira era um dos motivos para o divórcio e que tentou garantir um novo emprego para viabilizar a separação.

Geraldo foi preso de forma preventiva na última quarta-feira, 18, quando se tornou réu na Justiça por feminicídio e fraude processual.

Segundo depoimento, a dependência financeira era o principal entrave para a concretização do divórcio e que, apesar da vontade do desejo da separação, Gisele Alves Santana havia dito que não tinha condições de sustentar a filha e se manter sozinha devido as dificuldades.

Geraldo contou que a mulher estava com o salário comprometido devido a diversos empréstimos feitos para a construção da casa dos pais e pagamentos de procedimentos estéticos, como próteses de silicone e bichectomia. De acordo com ele, após os descontos, restava menos de R$ 1.000 para ela.

Ele disse que, para viabilizar a rotina, transferia valores mensais para a esposa, além de arcar com despesas domésticas que somavam cerca de R$ 10 mil. Geraldo também informou que buscou alternativas para ajudar na independência financeira da mulher, chegando a conversas com responsáveis para assessoria da Polícia Militar do Tribunal de Justiça para tentar conseguir uma vaga para Gisele. Com a promoção, a mulher ganharia adicional de R$ 5 mil e poderia ter uma renda maior que ajudaria nas despesas após o divórcio.

A vaga, segundo o suspeito, foi confirmada em janeiro e Gisele assumiria o cargo em 2 de março, após o carnaval.

Dia anterior a morte

De acordo com Geraldo, no dia anterior a morte, o casal fez compromissos de rotina separados e Gisele passou o dia trancada no quarto ao lado da filha. Por volta das 18h30, ele teria a convidado para um café da tarde, momento em que conversaram sobre o relacionamento.

“A gente sentou, conversou por duas horas. No final da conversa nós nos emocionamos muito, até nos abraçamos e choramos, com o rosto colado no outro, abraçado. Ali acabou criando um clima, porque quer queira quer não, tem uma química entre nós dois, né? Um amor, que pese a gente não estivesse mais tendo uma vida de casal, mais tinha um sentimento ali ainda”, afirmou Geraldo.

Apesar da conversa, o tenente-coronel alegou que Gisele informou que precisaria “pensar direitinho” sobre o divórcio e ficou acordado que a decisão final seria tomada no dia seguinte, 18 de fevereiro.

“Então, eu fui para o meu quarto dormir, diz minhas orações, ela foi para o quarto dela dormir. Acredito que na quarta-feira, dia 18, ela tenha acordado até mais cedo, às 4h30, que ela falou para mim que ia começar a novena do Freio Gilson, a quaresma”, contou.

Segundo o Ministério Público, laudos periciais indicam que Geraldo segurou a cabeça da mulher e atirou contra ela, descartando a hipótese de suicídio. Na sequência, ele teria manipulado a cena do crime para simular que a soldado havia tirado a própria vida, o que fundamenta como fraude processual.

 

 

 

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