Jornal Diário do Estado

Casos de tuberculose aumentam em Goiás

Diagnóstico pode ter sido represado durante a pandemia, de acordo com a Secretaria Estadual de Saúde. Vacina previne formas graves da doença

O registro de goianos com tuberculose aumentou progressivamente nos últimos anos. No Brasil, os óbitos causados pela doença atingiu o recorde dos últimos 20 anos. Uma das maiores preocupações das autoridades em saúde é facilitar o acesso ao diagnóstico e convencer as pessoas a completarem o tratamento, que dura pelo menos seis meses.

De acordo com a Secretaria Estadual de Saúde (SES-GO), a disparada nas estatísticas pode estar relacionada à retomada das ações pós-pandemia de covid. Houve redução de diagnósticos da doença comparado a 2019 e 2020.

Nos anos de 2020, 2021 e 2022 foram registrados, respectivamente, 963, 1019 e 1078 novos casos de tuberculose no estado. Apesar de altos, os dados referentes a Goiás são considerados de menor incidência dentre as demais unidades federadas do País. Até o momento em 2023 foram registrados 29 casos novos da doença.

A doença está associada a condições de vida precárias em relação a nutrição, moradia e acesso a tratamentos de saúde. Os casos costumam ser maiores em periferias de grandes cidades. A região Norte concentra a maior quantidade de infecções em nível nacional, com 40 por 100 mil habitantes.

Diagnóstico

O diagnóstico da tuberculose é realizado por meio da avaliação dos sintomas, exames laboratoriais através da coleta do escarro e exames de imagem. Em caso de sintomas, tosse persistente com ou sem a presença do catarro, perda acentuada de peso, febre no período da tarde e suor excessivo no período noturno, a orientação é procurar unidades básicas de saúde.

A doença tem cura, com medicamentos gratuitos disponibilizados na rede do SUS. O tratamento, quando iniciado, não deve ser interrompido. O abandono do tratamento é prejudicial ao indivíduo, mas também à saúde pública, pois não interrompe a cadeia de transmissão e pode evoluir para uma possível resistência aos medicamentos utilizados para a doença.

A vacina BCG não oferece eficácia de 100% na prevenção da tuberculose pulmonar, mas sua aplicação em massa permite a prevenção de formas graves da doença, como a meningite tuberculosa e a tuberculose miliar (forma disseminada) indicada para crianças até 05 anos. Para os adultos, a prevenção é feita através do tratamento da infecção latente (situação em que a doença ainda não desenvolveu).