Jornal Diário do Estado

Centro Cultural Octo Marques inaugura mostra fotográfica de Rosa Berardo

Exposição “Representações e Abstrações” traz registros fotográficos dos povos indígenas do Parque Nacional do Xingu feitos a partir de 1985, durante seis anos, e fotos atuais, de 2021 e 2022

Um passeio cultural no tempo e na história da etnografia do xinguana. É o que propõe a nova exposição fotográfica do Centro Cultural Octo Marques “Representações e Abstrações”, de Rosa Berardo. Ela é fotógrafa, cineasta, jornalista e professora titular na Universidade Federal de Goiás (UFG), do departamento de Artes Visuais. A abertura será nesta quinta-feira, 30, às 19h. A visitação segue aberta ao público de 1º a 30/12, de segunda-feira a domingo, das 9h às 17h.

Com curadoria de Antonio da Mata, a mostra reúne alguns dos milhares de registros etnográficos do Alto e do Baixo Xingu. O recorte da exposição entrega ao público um contraponto da etnografia xinguana do final da década de 80 à mais recente.

“Minha primeira visita ao Parque Nacional do Xingu foi em 1985 quando documentei um importante movimento para a demarcação de terras indígenas organizado pelo cacique Raoni e outros líderes”, relata Rosa Berardo, à época com 21 anos. A preocupação vinha do fato de que esses povos estavam ameaçados por invasões de suas terras e pelo risco de perderem sua identidade cultural.

Rosa Berardo recebeu autorização dos líderes indígenas para produzir a documentação fotográfica, um trabalho voluntário que durou cerca de seis anos. “Os caciques solicitaram à Funai para me levar para o Xingu em pequenos aviões da fundação que iam para o parque buscar alguma pessoa doente”, explica.

Cinema na aldeia Kamayurá

Atualmente, com a autorização dos líderes do grupo étnico Kamayurá, e apoio da UFG, Rosa Berardo desenvolve um projeto de ensino de Fotografia e Cinema. A iniciativa é em conjunto com sua filha, Julia Berardo, mestre em Artes Visuais pela UFG. “Ensinamos a linguagem de câmera, edição e roteiro”, explica Rosa. Segundo ela, o objetivo é contribuir para que os indígenas possam se auto representar e registrar sua cultura a partir de seu próprio ponto de vista, “tornando-se independentes de olhares externos e colonizadores”.