Relatório da CGU aponta sobrepreço na reconstrução de ponte que desabou entre TO
e MA
A ponte foi entregue em dezembro de 2025, um ano após a queda da antiga
estrutura. Segundo a CGU, o valor contratado pelo DNIT estava acima do montante
considerado pela equipe de auditoria.
CGU investiga contrato de reconstrução da ponte entre Tocantins e Maranhão
A Controladoria-Geral da União (CGU) apresentou um relatório que aponta
sobrepreço na construção da ponte Juscelino Kubitschek, localizada entre
Tocantins e Maranhão, na BR-226. O documento identificou inconsistências no orçamento e riscos contratuais.
A ponte foi entregue em dezembro de 2025, um ano após a queda da antiga
estrutura, que deixou 14 mortos e três desaparecidos. O investimento foi de R$
171.969.000. Segundo o relatório, o valor contratado pelo Departamento Nacional
de Infraestrutura de Transportes (DNIT) estava acima do montante considerado
pela equipe de auditoria, que estimava R$ 154,15 milhões — uma diferença de R$
17.819.000,00. O relatório já foi concluído e apresenta análises e
recomendações. A CGU deve continuar o monitoramento.
O DNIT informou ao DE que o orçamento foi elaborado com base em estimativas
técnicas compatíveis com a complexidade da obra e com as informações disponíveis
à época da contratação. Caso a análise técnica constate a necessidade de ajustes
nos quantitativos ou valores, o DNIT adotará todas as providências
administrativas cabíveis.
“Tal valor é um indicativo do risco de sobrepreço no contrato decorrente de
possíveis inconsistências na forma da estimativa paramétrica, realçando a
importância de que esta seja construída sobre uma amostra criteriosamente
selecionada e tratada, a fim de melhor de refletir os preços praticados no
mercado”, apontou a CGU.
A CGU também apontou que o DNIT teria simulado o valor da construção com base em
obras antigas, algumas com mais de 10 anos, além de atualizações financeiras
superiores a 100%. Isso teria levado à distorção dos valores reais de mercado.
Segundo a controladoria, as cartas de solicitação de propostas e as
justificativas formais para a escolha das empresas consultadas não foram
encontradas nos autos, prejudicando a rastreabilidade do processo.
O relatório já foi concluído e apresenta análises e recomendações ao DNIT.
Criação de normativos internos para padronizar a escolha de amostras em
orçamentos paramétricos.
Realização de análise técnica rigorosa do orçamento detalhado da obra para
ajustar eventuais distorções e avaliar a necessidade de reequilíbrio
econômico-financeiro.
Atualização do Manual de Contratações de Obras Emergenciais de acordo com a
Nova Lei de Licitações.
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desabamento.
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Tocantins e Maranhão chega à metade.
DESABAMENTO DA PONTE
A ponte caiu por volta das 14h50 do dia 22 de dezembro de 2024. No
desabamento, caíram no Rio Tocantins três motos, um carro, duas caminhonetes e
quatro caminhões, sendo que dois deles carregavam 76 toneladas de ácido
sulfúrico e outros 22 mil litros de defensivos agrícolas.
Ao todo, 18 pessoas foram vítimas do colapso da ponte, sendo que apenas um homem
conseguiu sobreviver. Antes da ponte cair, moradores dos dois estados alertavam
as autoridades sobre a situação da estrutura. A queda aconteceu no exato momento
em que o vereador de Aguiarnópolis, Elias Júnior (Republicanos), filmava o local para denunciar os problemas da ponte que liga a cidade a
Estreito, no Maranhão.
O restante da estrutura antiga foi implodido em fevereiro de 2025 e as obras
começaram logo depois. A ponte foi inaugurada no dia 22 de dezembro de 2025.
A estrutura tem 630 metros de extensão, 19 metros de largura e um vão livre de
154 metros. Os veículos de pequeno, médio e grande porte vão trafegar por duas
faixas de rolamento de 3,6 metros cada, e contar com dois acostamentos com três
metros cada, barreiras de proteção do tipo New Jersey, dois passeios para
pedestres e guarda-corpo em cada extremidade do tabuleiro.
ÍNTEGRA DA NOTA DO DNIT
O DNIT informa que, acerca de auditoria realizada pela Controladoria-Geral da
União (CGU), relacionada ao contrato de reconstrução da Ponte Juscelino
Kubitschek de Oliveira, na BR-226, entre os estados do Maranhão e Tocantins,
cumpre esclarecer que o relatório da CGU, conforme noticiado, aponta indício de
risco de sobrepreço associado à metodologia paramétrica de estimativa adotada,
não havendo, até o presente momento, identificação de dano efetivo ao erário nem
conclusão definitiva quanto à existência de irregularidade.




