Chappell Roan toca ‘Good Luck, Babe!’ no Lollapalooza
É estranho pensar que Chappell Roan lançou só um álbum e está em sua segunda turnê. Outras de seu ramo precisaram de muito, muito mais do que isso para conseguir um show tão potente, divertido e cheio de hits.
Na despedida de sua “The Visions of Damsels & Other Dangerous Things Tour”, Chappell provou que é uma performer indicada para multidões. A cantora americana de 28 anos é 100% capaz de comandar uma plateia de 85 mil pessoas, como neste sábado (21). Faz isso sem esforço, rimando teatralidade com naturalidade.
Só assistindo ao vivo para entender como uma artista pode emular um líder de banda de glam metal dos anos 80 e não fazer disso uma paródia barata.
Chappell Roan no segundo dia de Lollapalooza 2026 — Foto: Fábio Tito/DE
É exagero dizer que Chappell canta metal para crianças e jovens adultos? Provavelmente, mas não deixa de ter certo sentido. Uma certeza prevalece: ela é uma cantora pop que parece ter uns 10 anos de carreira e discografia extensa.
Tudo no show é exagerado, mas nada parece sobrar. Da presença de palco aos vocais afinados e menos genéricos do que o geral, Chappell constrói um espetáculo de figurinos, arranjos, cenários e gestos amplificados.
Não muito dada ao contato com fãs fora dos palcos (pergunte à filha de Jude Law e enteada de Jorginho), Chappell prefere usar apenas seu show para se conectar com seu público. Mas no palco ela se esquece dessas tretas, mesmo com fãs xingando o Flamengo durante uma parte do show.
Jorginho, volante flamenguista, critica Chappell Roan após confusão
O jogador relatou que seguranças da artista abordaram sua enteada de 11 anos de forma “extremamente agressiva” porque a criança a reconheceu no restaurante.
A única menção a algum esporte feita pela cantora foi a coreografia no estilo líder de torcida da fofinha “HOT TO GO!”. Em todo show, ela mistura certa extravagância visual, uma espontaneidade ligeiramente calculada e um verniz (bem) fininho de rock de arena.
Chappell Roan no segundo dia de Lollapalooza 2026 — Foto: Fábio Tito/DE
A geração “Guitar Hero” vibrou com a cover do hino hard rock “Barracuda”, do Heart. “Pink Pony Club” e “Good Luck, Babe!”, dois de seus maiores sucessos, aparecem no fim em versão mais pesada. Ela rasteja pelo palco, sacode seus cabelos, observa o público com cara de brava. Do nada, desfila para lá e para cá como uma modelo de uma linha de lingeries góticas.
Tudo é coordenado, ensaiado como um bom show pop. O clima de fim de turnê só dá as caras quando ela ri durante uma ou outra música (“The Giver”, por exemplo). Acompanhada por uma banda correta e por vozes de apoio gravadas, ela tira o microfone de perto da boca quando o vocal não é ao vivo.
“Eu vi o show da Lady Gaga no Rio… os leques”, disse, pedindo que os fãs fizessem barulhos com seus acessórios. Depois, disse que costumava ler todos os comentários de “please come to Brazil”, agradeceu o apoio dos fãs, reclamou do calor e dedicou o show à equipe, lembrando que a turnê estava prestes a terminar. “Obrigada aos meus seguranças”, disse, no final do agradecimento.
O carinho só é devolvido a eles por meio de discursos e músicas: ela não anda perto deles, não interage diretamente, não pega objetos arremessados ou qualquer expediente do tipo.
O negócio aqui parece ser intenso, mas com limites. Chappell só é do público por uma hora e 15 minutos. E, mesmo assim, com certo distanciamento. Para a maioria, pareceu ser o suficiente.
Chappell Roan no segundo dia de Lollapalooza 2026 — Foto: Fábio Tito/DE



