SÃO PAULO (SP) — Recordistas absolutos de apresentações na Festa do Peão de Americana, Chitãozinho e Xororó abriram a 38ª edição do evento na noite desta quarta-feira (3) com um show carregado de nostalgia e surpresas. A dupla, que soma 56 anos de carreira, transformou o palco em uma verdadeira sala de estar sertaneja, recebendo duas fãs para um café da manhã improvisado. “A gente sai da roça, mas a roça não sai da gente”, declarou Xororó, emocionando o público que lotou a arena.

O momento intimista começou com Chitãozinho servindo café — “Tá sem açúcar, tá?” — enquanto as sortudas convidadas se acomodavam em uma mesa montada no centro do palco. A dupla revisitou clássicos como “Fogão de Lenha”, “Coração Sertanejo” e “Majestade o Sabiá”, antes de encerrar o “café” ao som provocativo de “Vai pro Inferno com Seu Amor”. A plateia, em êxtase, cantou junto cada verso, provando que o carinho pelo trabalho dos irmãos atravessa gerações.

Sequência de sucessos e inovações no repertório

Após o café, a energia tomou conta da arena. A dupla iniciou uma sequência de hits que não deu descanso ao público. “Sinônimos”, originalmente gravada com Zé Ramalho, fez a multidão cantar a plenos pulmões. “Página de Amigos” e “Telefone Mudo” mantiveram o clima alto, enquanto a versão em espanhol da instrumental “Malagueña” surpreendeu os fãs. Xororó destacou a importância de inovar sem perder a essência: “A gente adora cantar essa canção. Especialmente para vocês”.

Um dos pontos altos da noite foi a brincadeira com o agudo de “Galopeira”. Xororó provocou o público para soltar a voz — “Agora é aquela hora que as pessoas adoram fazer o agudo pra ficar zoando os amigos nas redes sociais” — e pediu que todos fingissem estar no banheiro de casa, “o melhor lugar pra cantar”. A plateia correspondeu, mas o agudo impecável do cantor roubou a cena. O estado de SÃO PAULO testemunhou um espetáculo à altura da história da dupla.

Nostalgia com rádio antigo e parcerias emocionantes

Para aumentar a carga emocional, Chitãozinho levou ao palco um rádio AM antigo e lembrou os tempos em que o sertanejo tocava na madrugada. “A gente ouviu muito as nossas canções num radião desses aqui. Vamos ver se ainda funciona?”, disse, ligando o aparelho. A estática deu lugar à voz do icônico locutor Zé Bétio, que apresentou “Fio de Cabelo” — um dos maiores sucessos da dupla. A homenagem arrancou lágrimas de muitos fãs.

Xororó também relembrou parcerias internacionais que marcaram a carreira, como o encontro com os Bee Gees em Miami, que rendeu a versão de “Palavras” (Words). A dupla ainda apresentou “Ela Não Vai Mais Chorar”, parceria com Billy Ray Cyrus, com destaque para o backing vocalista Daniel Quirino, que brilhou ao centro do palco. O bis de “Sinônimos”, com arranjo de guitarra e fotos antigas no telão, fechou o bloco nostálgico com chave de ouro.

Troca de elogios e encerramento apoteótico

Na reta final, Chitãozinho pediu aplausos para “o cantor oficial da banda” — Xororó, que devolveu o carinho com emoção: “Quero esse mesmo carinho pra esse cara que me acompanha há 56 anos só de estrada. Pra mim, a melhor segunda voz do Brasil: meu irmão mais velho”. A declaração arrancou gritos da plateia. “Evidências”, tratada quase como um hino nacional, encerrou a apresentação com o público em êxtase, cantando cada verso em coro.

Com momentos de humor, como a brincadeira de que Zezé Di Camargo “estava louco para subir ao palco”, a dupla mostrou por que continua sendo a maior referência do sertanejo raiz. A 38ª Festa do Peão de Americana começou com o pé direito, graças a Chitãozinho e Xororó, que provaram que a roça nunca sai da gente — e que a música deles segue eterna nos corações dos brasileiros.