As fortes chuvas que atingiram Buriticupu, no interior do Maranhão, alagaram ruas e invadiram casas nas últimas 24 horas. O município é conhecido por abrigar cerca de 33 voçorocas, grandes erosões que avançam há anos sobre bairros inteiros.
Imagens feitas por moradores mostram ruas tomadas pela água e casas sendo invadidas. Em um dos vídeos, um morador desabafa enquanto filma o alagamento: “A casa aqui tá cheia d’água… já desceu sandália, colchão… olha a situação”.
Famílias da Rua Independência, no bairro Vila Isaías, onde há uma enorme cratera, relataram prejuízos materiais. Estabelecimentos comerciais também foram afetados. Na BR‑222, um caminhão chegou a ficar preso no meio da enxurrada, que tomou conta da via durante a chuva.
Justiça determina ações para contenção das voçorocas
No ano passado, a Justiça determinou que a prefeitura adotasse medidas de contenção, mas, segundo o Ministério Público do Maranhão, as ações não foram executadas. Nesta semana, a Justiça do Maranhão acolheu pedidos do MP que obrigam a Prefeitura de Buriticupu a cumprir uma sentença que determina a adoção de providências em áreas afetadas por voçorocas. O município tem até 48 horas para atender à decisão.
A Defesa Civil municipal informou que choveu 60 mm nas últimas 24 horas, mas não houve registro de desabamento, deslizamento, aumento das áreas de voçorocas ou famílias desabrigadas. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) afirmou que não recebeu chamados relacionados ao temporal.
Consequências das voçorocas em Buriticupu
Ao longo dos anos, 83 casas já foram destruídas ou engolidas pelas erosões em Buriticupu. O problema passou a afetar diretamente a população de forma mais intensa a partir de 2015. As voçorocas são fenômenos geológicos que surgem como fendas no solo, geralmente provocadas pela água da chuva. Se nada for feito para conter, uma erosão pode evoluir até atingir o lençol freático, tornando-se uma voçoroca.
Com o início do período chuvoso no Maranhão, as voçorocas ficam ainda mais vulneráveis. Isso porque a chuva e o relevo ondulado da região favorecem o avanço das erosões. Uma das maiores crateras de Buriticupu fica localizada na Vila Santos Dumont e, sozinha, já teria engolido 50 residências. No total, 360 famílias foram afetadas pelo avanço das erosões, e outras centenas ainda vivem em áreas de risco.
Decisões e reflexos no município
Diante da situação, a Justiça tem exigido ações mais enérgicas por parte da Prefeitura para conter o avanço das voçorocas. No entanto, o desafio persiste e a população continua sofrendo com os impactos das fortes chuvas e das erosões. É fundamental que medidas eficazes sejam implementadas urgentemente para evitar novos prejuízos e riscos às famílias afetadas em Buriticupu.
A situação das voçorocas representa não apenas um problema geológico, mas também social e humano, que demanda atenção e soluções adequadas para garantir a segurança e qualidade de vida da população local.



