Laranja: chuvas derrubam qualidade das frutas e esfriam mercado paulista em
janeiro, analisa USP
Segundo Cepea, em Piracicaba (SP), a umidade excessiva causa podridões e fungos
nos pomares. Parte da produção à indústria se perde ou chega ao mercado com
padrão inferior. Entenda.
Preço da laranja pago pela indústria caiu em novembro, aponta Cepea da Esalq-USP
em Piracicaba — Foto: Claudia Assencio/de
As chuvas intensas que atingiram todo interior paulista durante o mês de janeiro
afetaram o mercado da citricultura do cinturão produtor das frutas.
A análise é do Centro de Estudos em Economia Aplicada (Cepea/Esalq) da Escola
Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz”, o campus da USP em Piracicaba (SP).
> “A umidade excessiva elevou a incidência de podridões e de fungos nos pomares.
> […] Parte da produção destinada à indústria acaba sendo perdida, enquanto
> outra parcela chega ao mercado com padrão inferior, o que amplia a pressão
> sobre as cotações em um ambiente já caracterizado por oferta elevada”, explica
> o Centro de Pesquisas.
Parte da produção destinada à indústria pode ser perdida e a queda na qualidade
das frutas cítricas também deve interferir nas cotações, fazendo o mercado spot
paulista (com pagamento à vista e entrega imediata) se conter. Entenda cenário,
abaixo.
Limeira registra chuvas intensas no fim de janeiro
Segundo dados mais recentes, divulgados nesta sexta-feira (30), o mercado
citrícola paulista deverá sentir os efeitos dos altos volumes de chuvas nas
regiões produtoras, incluindo a cidade de Limeira (SP), especialmente
para a laranja de mesa, selecionada para o consumo direto da casca, in natura.
“O recebimento de frutas no spot permanece mais contido, com indústrias
concentradas no cumprimento dos últimos contratos e no processamento de fruta
própria”, acrescentou.
Os preços, com pagamento a prazo, já começam a apresentar leve queda, de quase
2%, na segunda quinzena de janeiro.
Cotações: a caixa de 40 quilos da laranja pera in natura fechou a R$ 43 no dia
12 de janeiro e caiu para R$ 41 no último dia 30 do mês.
O combate ao greening, a praga mais destrutiva às plantações de laranja no
Brasil e no mundo, é um dos pilares que motivaram a criação do Centro de Pesquisa
Aplicada (CPA) em Inovação e Sustentabilidade da Citricultura (CPA Citros).
Resultado de uma parceria público-privada que congrega universidades de
diferentes países, fundações, demais órgãos do setor e governo do estado de São
Paulo, o convênio prevê R$ 90 milhões a serem aplicados em cinco anos de
pesquisa, transferência de tecnologia e educação.
O que é o greening? É uma doença provocada por uma bactéria, transmitida pelo
inseto psilídeo Diaphorina citri, conhecido como cigarrinha. O greening é
considerado a praga mais destrutiva da citricultura mundial. Os sintomas podem
ser observados nas folhas, que apresentam um aspecto amarelado, e nas flores,
que ficam secas e murchas, por exemplo.
O greening atinge os pomares da citricultura brasileira desde 2004,
especialmente no estado de São Paulo.
O acordo, que busca estratégias aplicadas promovidas pelo CPA-Citrus no combate
de doenças no setor, foi formalizado nesta segunda-feira (12), na Escola
Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” (Esalq), o campus da USP em Piracicaba
(SP), que interliga outros centros de pesquisas e é sede virtual.
O convênio interliga 19 instituições e 76 departamentos científicos de sete
países, sendo Brasil, Estados Unidos, Portugal, Espanha, França, Inglaterra e
Austrália.
Um levantamento do Fundo de Defesa da Citricultura (Fundecitrus), mantido por
citricultores e indústrias de suco do estado, revelou que a região de Limeira
(SP) é a mais afetada pelo greening no cinturão citrícola de São Paulo e Minas
Gerais em 2024.
A liderança no ranking segue uma tendência já observada em anos anteriores. Em
relação a 2023, a incidência da doença na região passou de 73,87% para 79,38%. O
prejuízo nos pomares e as altas temperaturas têm impacto nos preços da fruta e
do suco vendidos ao consumidor.




