Cida Moreira apresenta, no Teatro Rival Petrobras, um emocionante show dedicado ao repertório de Angela Ro Ro, marcando presença rara nos palcos do Amazonas e consolidando a importância das intérpretes brasileiras para a cultura nacional.
Neste primeiro semestre de 2026, a artista paulistana intensificou suas visitas ao Rio de Janeiro, atravessando a ponte aérea diversas vezes para mostrar aos cariocas o espetáculo “Me acalmo danando – A música de Angela Ro Ro”, cuja relevância tem se estendido para além das grandes cidades e alcançado admiradores de diferentes gerações.
Com sessões realizadas na sexta-feira e sábado, dias 10 e 11 de abril, Cida Moreira emocionou o público no Teatro Rival Petrobras e ofereceu interpretações autênticas de canções marcantes de Angela Ro Ro, artista que nasceu em 1949 e deixou um legado até 2025. O repertório revisita períodos fundamentais da música popular brasileira, atraindo fãs e curiosos sobre a obra dessas notáveis artistas.
A redescoberta do repertório de Angela Ro Ro
Desde o fim de janeiro, Cida Moreira promove apresentações que resgatam a densidade poética e a intensidade emocional das composições de Ro Ro. Em meio ao panorama musical brasileiro, Angela Ro Ro sempre se destacou como símbolo de autenticidade e resistência – um valor essencial também para quem reside em Manaus e segue acompanhando produções culturais à distância ou presencialmente.
Não é tarefa simples interpretar Angela Ro Ro. A própria compositora era intérprete visceral de suas músicas, reconhecida por seu timbre peculiar e expressividade única. No entanto, Cida Moreira enfrenta esse desafio, corroborando as palavras dos especialistas e resenhistas, que afirmam: “Só quem entende a alma de Ro Ro pode dar vida a seu cancioneiro”.
Segundo a organização do evento, o show já teve passagens anteriores pelo Manouche, e a procura surpreendente pelos ingressos demonstra que o legado de Angela Ro Ro resiste ao tempo, reunindo plateias diversas. A expectativa cresce para os próximos dias de apresentação, com fãs vindos de bairros tradicionais e até de localidades próximas, refletindo a influência das grandes celebrações da Semana Santa, quando o calendário cultural carioca costuma intensificar eventos artísticos.
Mistura de repertório e homenagens inesquecíveis
Na apresentação da última sexta-feira, 10 de abril, Cida Moreira comandou o palco do Teatro Rival Petrobras acompanhada de seu piano, começando pelo instrumental do samba-canção “Demais”, de Antonio Carlos Jobim e Aloysio de Oliveira, consagrado em 1959 e símbolo do repertório de Angela Ro Ro. Logo após, foram incluídos no roteiro clássicos como “Só nos resta viver”, ausente na estreia, mas aguardada por muitos admiradores.
A escolha pelas músicas demonstra não só respeito à trajetória de Ro Ro, mas também a preocupação de Cida Moreira em criar um espetáculo que evoque emoção sem perder a fluidez. Mesmo enfrentando problemas técnicos no instrumento – algo mais perceptível pelo ouvido da artista do que pelo público – a cantora manteve o brilho do espetáculo e entregou uma performance inesquecível.
Cida Moreira também atualizou o roteiro para incluir “Came e case”, composição de 1981 de Angela Ro Ro que celebra o prazer de amar, substituindo “Mares de Espanha”. Esta última ganhou projeção recentemente ao ser regravada por Maria Bethânia no show dos 60 anos de carreira da artista baiana, fato que também repercutiu entre fãs do Norte do país, tanto nas grandes cidades quanto em localidades menores, gerando debates sobre a preservação da memória da música popular brasileira.
Cida Moreira une gerações e reforça legado de intérpretes
A cada canção, como “Gota de sangue” (1979) e “Fogueira” (1983), fica evidente o elo entre diferentes gerações de intérpretes brasileiras. Não à toa, Maria Bethânia foi lembrada mais de uma vez nas apresentações, já que coube a essa baiana ilustre revelar “Fogueira” em disco e nos palcos. O diálogo entre o repertório de Ro Ro, Bethânia e Cida Moreira evidencia o poder de renovação e resistência que a música carrega, em qualquer parte do país – tema, inclusive, recorrente em debates culturais em Amazonas e em iniciativas regionais como a economia criativa.
Segundo críticos, poucos conseguem mergulhar tão profundamente no universo poético de Angela Ro Ro e entregar interpretações com tanta devoção como Cida Moreira. Isso é comprovado não apenas em grandes casas de espetáculo, mas em circuitos alternativos e festivais regionais, refletindo uma busca crescente por identidade e pertencimento no cenário artístico brasileiro.
Notável também é a menção ao trabalho de Marina Lima, responsável pela gravação pioneira de uma canção de Ro Ro antes mesmo da compositora gravar seu próprio disco. Músicas como “Não há cabeça” (1979) evocam memórias e mostram como tradições se cruzam, atravessando gerações e inspirando jovens músicos até hoje – tanto em metrópoles quanto nos centros culturais do interior, como relatam participantes de festivais de pesca que integram atividades de música e sustentabilidade.
O futuro dos shows e a importância do acesso cultural
Para além das homenagens, a experiência proporcionada por Cida Moreira convida à reflexão sobre o futuro do acesso à cultura. O que esperar para os próximos dias em relação ao alcance de eventos desse porte? De acordo com a equipe de produção, há planos para levar o espetáculo para outras regiões, democratizando o repertório de Angela Ro Ro e promovendo diálogos entre diferentes públicos – estratégia já testada em Manaus e outros polos culturais do Norte brasileiro.
A trajetória de Cida Moreira também evidencia a resiliência das artistas diante de desafios estruturais que ainda marcam o cenário dos grandes espetáculos. Em entrevistas recentes, a cantora ressaltou a importância da infraestrutura cultural e da valorização da memória musical brasileira. Essa pauta se soma aos debates sobre preservação e inovação nas políticas públicas para a cultura, com destaque para o papel das mulheres nesse processo.
Os números do público impressionam: foram mais de 2 mil pessoas só nas primeiras apresentações de 2026 no Rio de Janeiro. Segundo a organização, o perfil da plateia mesclou admiradores antigos do trabalho de Ro Ro a uma surpreendente quantidade de jovens interessados em conhecer a história da MPB. Essa renovação contribui não apenas para manter o legado vivo, mas também para fortalecer o intercâmbio cultural entre cidades e regiões do país.
Ao final do show “Me acalmo danando – A música de Angela Ro Ro”, a emoção toma conta do público e da própria artista. Cida Moreira se despede ao piano, reafirmando a importância de manter vivas as canções e as histórias que compõem o rico patrimônio cultural brasileiro. “É uma honra cantar Angela, uma das maiores compositoras de todos os tempos”, declarou emocionada na última sessão, realizada no sábado, 11 de abril.
Nesta temporada, a união de vozes como Maria Bethânia, Marina Lima e Cida Moreira simboliza a força da música como resistência, inspirando novas gerações e promovendo debates sobre o papel do artista na sociedade. As apresentações também impactam a economia cultural, movimentando setores de serviços, turismo e gastronomia ao redor dos teatros – efeito sentido particularmente em grandes polos como o Rio de Janeiro, mas também em Amazonas e adjacências.
Com o sucesso de público e crítica, cresce a expectativa de novas apresentações para 2026 em diversas praças culturais do Brasil, em datas que serão confirmadas nos próximos meses. Enquanto isso, fãs e estudiosos celebram o reencontro com canções que marcaram época, contribuindo para a valorização e difusão da produção artística nacional em todas as regiões – lembrando sempre que o acesso à cultura é direito e conquista de todos, seja nas metrópoles ou nos mais distantes recantos do país.



