Cláudio Jorge, aos 76 anos, lança álbum autoral “Kota, a cor da pele”

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Aos 76 anos, o violonista Cláudio Jorge volta a lançar álbum com repertório autoral após dois discos como intérprete — Foto: Celso Filho / Divulgação

No dicionário de kimbundu, língua banta falada em Angola, kota é palavra que designa “o mais velho”, “aquele que transmite conhecimento”.

No título do álbum que lançará em 10 de abril, “Kota, a cor da pele”, o cantor, compositor e violonista carioca Cláudio Jorge faz engenhoso trocadilho com cota, palavra que, no Brasil, está associada à política da cota racial, ação afirmativa que reserva para negros uma quantidade pré-determinada de vagas em universidades e concursos públicos com o intuito de minimizar desigualdades históricas.

Cotação: ★ ★ ★ 1/2

“A cor da pele é o que define o destino de muitos brasileiros. Quanto mais escura a pele, maiores as barreiras a serem vencidas na luta por cidadania. O álbum é um manifesto pessoal, é a celebração do meu processo de consciência da minha negritude, uma orgulhosa comemoração de todas as muitas qualidades do povo negro, da ancestralidade até os nossos dias, tudo com muita palma de mão e tambor”, contextualiza Cláudio Jorge no texto em que apresenta “Kota, a cor da pele”, álbum gravado e mixado por Lourival Franco no estúdio Vale da Tijuca, no Rio de Janeiro (RJ), e posto no mercado fonográfico em edição da Mills Records.

Exímio violonista, requisitado há décadas em estúdios de gravação por grandes cantores do Brasil, Jorge baseia o álbum nas percussões de André Siqueira e Marcelinho Moreira. O batuque sobressai ao longo das 13 faixas em que Cláudio Jorge versa sobre temas como ancestralidade, musicalidade e religiosidade, sem deixar de mexer na ferida aberta do preconceito racial.

O racismo sofrido pelo jogador de futebol Vinícius Júnior em campos da Europa foi o mote para a criação de samba em exaltação ao craque, “O tom do Vinícius”, composto a partir de versos indignados escritos por Jorge e musicados pela parceria Joyce Moreno. “O tom do Vinícius” entrou em campo em 14 de março, em single que prenunciou a chegada de “Kota, a cor da pele”, álbum cuja capa expõe arte criada por Oliveira & Naccarato a partir de obra de Rubem Valentim.

Embora careça de luminosidade, o canto do artista soa sempre bem colocado e é evidenciado já na faixa quase a capella que abre o álbum no formato de voz & kalimba, “Acorda, meu amor!” (Cláudio Jorge e Nei Lopes), música composta para a trilha sonora do musical “Oh! que delícia de negras” (1987 / 1989), da qual o artista também pesca “Bate chibata”, tema inédito dessa trilha assinada por Jorge com Nei Lopes.

Capa do álbum ‘Kota, a cor da pele’, de Cláudio Jorge