Nascido no Recife, os cobogós se popularizam em projetos por todo o Brasil ao longo do século 20, porém, caíram em desuso. Em tempos de calor intenso, essa ‘invenção’ brasileira de 100 anos atrás pode ser uma aliada eficiente para amenizar o clima escaldante que afeta muitas regiões.
No ponto mais alto do sítio histórico de Olinda, em Pernambuco, destaca-se um enorme reservatório de água dos anos 1930 com o tamanho de um prédio de seis andares. Este edifício se destaca não apenas por sua imponência, mas por apresentar uma fachada peculiar, construída a partir da utilização dos cobogós, uma criação local que transformou a arquitetura brasileira.
O cobogó, um elemento vazado que permite a passagem de luz e ventilação, foi uma solução arquitetônica pioneira que se espalhou pelo país. Essa estrutura, ao mesmo tempo que protege do Sol, permite a circulação do ar, refrescando os ambientes em tempos de calor extremo. Um exemplo emblemático é a caixa-d’água de Olinda, que contava com fachadas feitas de cobogós para auxiliar na climatização passiva do edifício.
Diferentemente do conceito original, onde o cobogó seria apenas um bloco de cimento pré-fabricado para fins estruturais, a aplicação mais ampla deste elemento na arquitetura se deu principalmente devido à sua eficiência em amenizar o calor em climas tropicais. Atualmente, surge um resgate desta técnica por arquitetos, não apenas pelo seu efeito estético, mas também pelo seu potencial de conforto térmico e luminosidade.
A inspiração do cobogó não se restringe a influências árabes ou indígenas, mas sim a uma adaptação local de um conceito ancestral de elementos vazados para ventilação e iluminação em climas quentes. Hoje, o desafio está em reintegrar os cobogós em projetos arquitetônicos modernos, não apenas como uma questão estética, mas também como uma alternativa sustentável em meio à crise climática que vivemos.
Em um cenário de mudanças climáticas e necessidade de conforto térmico, os cobogós representam uma solução viável para promover a circulação de ar e a luminosidade em edifícios. A presença desses elementos em construções públicas e residenciais pode colaborar para amenizar o calor e proporcionar ambientes mais agradáveis e sustentáveis, conectando a história com as demandas atuais de conforto e eficiência energética.




