VITÓRIA (ES) — A separação correta do lixo dentro de casa tem impacto direto na preservação ambiental e no sustento de dezenas de famílias, como mostram iniciativas em cidades do interior paulista. Em VITÓRIA, a conscientização sobre reciclagem ganha força com exemplos práticos de cooperativas e escolas que transformam resíduos em renda e aprendizado.
Cooperativas recebem toneladas de recicláveis e alertam para descarte correto
Em Bauru (SP), cooperativas de catadores recebem diariamente toneladas de materiais recicláveis recolhidos pela coleta seletiva. A ASCAM, Associação de Catadores de Materiais Recicláveis, é uma das principais unidades de triagem da cidade. Segundo a administradora Gisele Moretti, a cooperativa processa aproximadamente 50% de todo o material reciclável de Bauru. “São 39 tipos diferentes de materiais que passam pelo processo de separação antes de serem vendidos para reciclagem”, explicou em declaração à imprensa.
Há oito anos como catadora, Samanta Aparecida é responsável pela triagem dos resíduos e faz um alerta sobre os riscos do descarte incorreto. “Pedimos atenção da população. Muitas vezes chegam agulhas e cacos de vidro misturados aos recicláveis. Isso pode causar acidentes com a gente que trabalha aqui. Eu tenho filhos para sustentar e esse trabalho é muito importante pra mim”, contou. A renda gerada no galpão também sustenta Zilda Cristina Custódio, que destacou a importância da colaboração da comunidade: “Quanto mais as pessoas colaborarem separando corretamente os materiais, melhor para todo mundo”.
Educação ambiental nas escolas forma cidadãos conscientes
Em Itapetininga (SP), a educação ambiental tem sido ferramenta para incentivar mudanças de comportamento desde cedo. Em uma escola da cidade, alunos e funcionários participam ativamente da separação de resíduos e ajudam a fortalecer ações de reciclagem. Garrafas plásticas, papelão e latinhas fazem parte da rotina escolar e se transformam em oportunidade de aprendizado sobre sustentabilidade e cidadania. A professora Anne Barros afirmou que a conscientização começa nos primeiros anos. “Ensinamos as crianças a identificar as lixeiras corretas pelas cores. Já os alunos mais velhos desenvolvem projetos para ensinar os mais novos sobre a importância da separação dos resíduos.”
Após a coleta, os materiais passam por nova triagem. “Chega bastante coisa misturada. A gente ajuda nessa separação para que tudo possa seguir para a reciclagem de forma correta”, explicou a colaboradora Miriam Castilho. Em Itapetininga, onde a coleta seletiva ainda não atende toda a cidade, o trabalho é realizado por meio de parceria entre a prefeitura e a COOPERITA, que atua há mais de duas décadas e processa cerca de 40 toneladas de materiais por mês. O aluno Bernardo destacou a relevância do tema: “É muito importante ter esse conhecimento sobre educação ambiental aqui. São temas presentes no dia a dia. É algo que aprendemos na escola e que precisamos levar para a vida”.



