Descubra a narrativa emotiva e histórica por trás da colônia alemã centenária que tem lugar no coração de Goiás. Em 1924, aproximadamente 120 imigrantes abraçaram a jornada para Goiás movidos pela promessa governamental de um lar e um meio de subsistência. A Colônia do Uvá, localizada a 170 km de Goiânia, foi o berço desse sonho coletivo de uma centena de alemães. Atualmente, esse pedacinho de história preserva poucos vestígios da cultura alemã, como as casas de tijolo de barro e os pratos tradicionais que marcam a identidade desse lugar.
Naquele ano crucial de 1924, o grupo diversificado de imigrantes alemães que desembarcou em Goiás incluía operários, ex-combatentes de guerra e poucos agricultores. Sem energia elétrica e com ruas ainda de terra batida, esses bravos pioneiros ergueram suas moradias e iniciaram uma nova vida em terras brasileiras. Afreu Koesterke, neto de alemães e residente na colônia, narra a história dos seus antepassados que viram na imigração uma oportunidade de escapar da fome e dos horrores da guerra.
Magdalena Koch Souza, filha de alemães, é um exemplo vivo da presença da cultura alemã em Goiás. Mesmo não tendo passado o sobrenome alemão para os seus descendentes, Magdalena mantém viva a tradição europeia através da sua culinária e do seu envolvimento nas celebrações anuais da colonização. A saudade do alemão, língua materna esquecida por muitos, ecoa nas memórias de uma geração que se esforça para manter vivas as raízes da colônia.
Maria Helena de Oliveira Brito, professora aposentada e pesquisadora, apresenta um relato detalhado sobre os primeiros desafios enfrentados pelos alemães em Goiás. Com recursos escassos, em meio a uma mata densa e muito trabalho árduo, essas famílias construíram a sua subsistência a partir da terra e da união comunitária. O registro mais expressivo da presença alemã na região revela-se nos túmulos do cemitério local, com as lápides antigas escritas em alemão como testemunhas silenciosas da história.
Apesar dos desafios e das transformações ao longo dos anos, a memória dos primeiros colonos alemães é preservada em registros fotográficos da época. A fotógrafa profissional e professora aposentada, Cidinha Coutinho, guardiã de um acervo valioso de imagens, mostra o cotidiano dos imigrantes nos anos iniciais da colonização. As fotos retratam com sensibilidade os esforços daqueles que desbravaram novos caminhos em terras goianas e deixaram um legado de resistência e determinação para as gerações futuras.
A busca por manter viva a história da colônia alemã de Goiás reflete o desejo de afirmação de uma identidade cultural única, marcada pela diversidade, pela superação e pela resiliência. O legado desses imigrantes ecoa nas tradições, nas memórias e nas celebrações que ainda hoje permeiam os corações e as mentes dos habitantes da Colônia do Uvá. Este capítulo inspirador da imigração alemã em solo goiano revela-se como um testemunho de coragem e esperança que se traduz em cada tijolo, em cada prato típico e em cada sorriso compartilhado entre as gerações.




