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Netflix: A série mais assistida da história

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La Casa de Papel é a série de língua não-inglesa mais assistida da história da Netflix

A série em língua não-inglesa mais assistida da história da Netflix, La Casa de Papel teve a primeira metade de sua última temporada lançada mundialmente no dia 3 de setembro de 2021. Com um mercado global se estendendo desde o Brasil até a Índia, essa produção espanhola vem batendo recordes. Mesmo assim, demonstra sinais de cansaço e desgaste em seu ano de encerramento.

Voltando um pouco no tempo, La Casa de Papel é uma obra lançada originalmente pelo canal Antena 3. Originalmente, a série contou com 15 episódios em sua distribuição original, chegando a vencer como Melhor Série no Emmy International. A plataforma de streaming Netflix adquiriu os direitos do título e dividiu a primeira temporada em duas partes, diminuindo a duração dos capítulos e elevando a quantidade de episódios a fim de se adaptar ao mercado estadunidense e garantir um sucesso mais internacional do que local.

A estratégia funcionou. Com tamanho sucesso, a Netflix decidiu dar seguimento à história e encomendou novos episódios. Nasceu assim a Parte 3, seguida pela Parte 4. Em maio deste ano, foi divulgado que a Parte 5 marcaria o encerramento da série em dois volumes finis. De acordo com o Parrot Analytics, um portal especializado em níveis de audiência, o nível de antecipação pela Parte 5 chegou a ser 78.9 vezes maior do que a média no mercado global, garantindo o primeiro lugar como série mais assistida em plataformas de streaming no mundo.

Sobre o que é a série?

Para quem não conhece, La Casa de Papel conta a história fictícia de um assalto à Casa da Moeda da Espanha. O misterioso Professor contrata os mais habilidosos criminosos daquele país para participar de um plano mirabolante, mas altamente calculado. Dois anos depois, as motivações se alteram e o grupo desenha um novo plano para atacar desta vez o Banco da Espanha, em uma incursão infame e cheia de adrenalina.

Por que você deveria assistir?

São inúmeras as razões para ver La Casa de Papel. Afinal de contas, ela não se tornou a série mais assistida do mundo à toa. Os personagens são recheados de camadas, cada um particularmente interessante à sua própria maneira. O Professor, por exemplo, chama a atenção pela sua perspicácia e genialidade. Tóquio se destaca por seu inabalável ímpeto que pode pender tanto para a coragem quanto para a irresponsabilidade. Todos os personagens possuem seus lados bons e ruins, com méritos evidentes e defeitos inevitáveis.

Além disso, a obra é feita para “maratonar”. Cada episódio deixa um gancho irresistível para o seguinte, deixando o espectador curioso pelos próprios acontecimentos. O ritmo é acelerado, mas sabe quando colocar o pé no freio para não tornar seu enredo raso demais. A língua espanhola dá um charme extra à trama, sobretudo para quem deseja conhecer um mercado diferente do estadunidense, o mais difundido na cultura ocidental.

E La Casa de Papel atinge todas as culturas. Apesar de ser espanhola, a sua audiência se espalha por diversos lugares, como: Índia, Estados Unidos, França, Paquistão, Rússia, Itália, Filipinas, Sri Lanka, Alemanha e, é claro, o Brasil. Após o lançamento do primeiro volume da Parte 5, La Casa de Papel se tornou a série mais assistida da Netflix em 75 países ao redor do globo, segundo dados da própria empresa.

Antes e depois da Netflix

É possível observar várias diferenças em La Casa de Papel nos períodos antes e depois da Netflix. A primeira temporada foi totalmente desenvolvida pela Antena 3, que firmou uma identidade única para a obra. Na segunda e terceira temporadas, ou das Partes 3 a 5, a Netflix prezou pela manutenção das principais bases da série, mas tomou a liberdade de mudar algumas coisas no caminho, a começar pela continuação da história.

A maneira com que a primeira temporada é concluída dá a entender que a jornada dos protagonistas chegara ao fim. No entanto, os roteiristas Álex Pina e Esther Martínez Lobato deram um jeito de ingressar em um novo arco narrativo a fim de reviver o enredo. O modelo da história é bem parecido, mas com diferenças pontuais na maneira de se contar. A presença de pautas sociais, como a inclusão de mais personagens LGBTQI+, é um dos exemplos dessa adaptação ao sistema editorial da Netflix.

Vale a pena ver todas as temporadas?

La Casa de Papel segue possuindo um charme pouco comum no entretenimento mundial. O seu ritmo acelerado e a narração nos capítulos nos impulsiona a querer ver até o fim, mas é preciso tomar nota de uma coisa. A série está claramente desgastada, algo natural ao considerarmos a manutenção de uma mesma fórmula por tanto tempo. É complicado fazer com que tantas reviravoltas permaneçam dando certo sempre, e certos recursos passam a parecer vazios. A presença de flashbacks pouco acrescenta à trama e enrola muito tempo de tela, e a série às vezes não sabe muito bem o que fazer com os seus personagens – pois já fizeram basicamente de tudo.

No resumo da ópera, La Casa de Papel é uma série que faz jus ao seu sucesso e com totais méritos por ter chegado onde chegou. Apesar do desgaste recente, não podemos ignorar toda a qualidade que a obra já apresentou no passado, e que a colocou no topo das favoritas de milhões de pessoas.
Todas as temporadas de La Casa de Papel estão disponíveis na plataforma Netflix. O lançamento dos cinco últimos episódios da Parte 5, na temporada final da série, está marcado para o dia 3 de dezembro.