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Bariátrica: cirugia vai além da perda de peso

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O Brasil é o segundo no mundo que mais realiza cirurgias bariátricas, ficando atrás apenas dos Estados Unidos. Conhecida por sua eficacia na perda de peso o procedimento vem se destacando por combater doenças como diabetes, hipertensão, acumulo de gordura no fígado, entre outros.

Pensando em apresentar os benefícios comprovados da cirurgia, nossa equipe conversou com o médico cirurgião Dr. Maxley Alves. De acordo com ele, estudos da Associação de cirurgia bariátrica apontam 90% dos pacientes que passaram pelo procedimento apresentaram melhora ou cura de doenças cardiovasculares, hepáticas e apneia do sono. Isso porque, hormônios intestinais são alterados.

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“A cirurgia hoje é o tratamento mais eficaz contra doenças globais associadas a síndrome metabólica que é a obesidade, alteração do colesterol e triglicérides e da gordura hepática não alcoólica”, ressaltou o Maxley.

” O que foi descoberto é que a pessoa perdia peso com a cirurgia e, a diabetes controlava. a gordura no figado praticamente desaparecia, a pressão ficava mais fácil para o controle ou, se estabelecia. Então era tratado várias doenças de forma global. Então começou alguns estudos separados, pegava-se uma pessoa obesa grau um, por exemplo, com diabetes, será que ela melhora ? Ai chegou-se a conclusão que a melhor intervenção para a diabetes é a cirurgia metabólica e bariátrica”, explicou o médico.

Gordura no fígado

Após o sucesso do resultado da pesquisa em pessoas com diabetes, um estudo desenvolvido nomeado SPLENDOR (procedimentos cirúrgicos e eficácia de longo prazo em doença NASH e risco de obesidade), desenvolvido nos Estados Unidos (EUA), acompanhou de 2004 a 2016 mais de mil e 500 pessoas com diagnosticadas com doenças no fígado relacionadas a gordura. Sem num outro fator predominante, como por exemplo, o alcoolismo. E observaram que 84% das pessoas não apresentavam mais a gordura no órgão após a cirurgia.

“Qual é grande causadora de cirrose nos últimos anos que surpreendeu todo o mundo? A gordura no fígado. Quando essa gordura no fígado inflama chamamos de doença hepática inflamatória gordurosa. A situação em que o tecido do fígado pode ser substituído por fibrose. E isso talvez seja a pior pandemia que nos temos hoje, esse alto número de pessoas com gordura no fígado”, ressaltou o Maxley.

Assim como a diabetes, as doenças relacionadas a gordura no fígado são tratadas com medicamentos paliativos. E de acordo o cirurgião, o melhor tratamento para a gordura no fígado é a perda de peso. Visto que, se não tratada, a doença pode levar a um câncer.

Bariátrica e qualidade vida

Em entrevista ao Diário do Estado, o fotografo Pedro de Souza, 37, relatou ter tomado a decisão de fazer a cirurgia bariátrica após uma viagem a Londres.

“Eu fiz uma viagem para fora e não pude entrar em muitos brinquedos, em muitas atrações porque eu era muito grande. Eu tenho 1,90 m e pesava 159 kg, eu era muito grande” explicou o fotografo.

Pedro ressalta que o procedimento não foi apenas por estética, foi também e principalmente por saúde. “Quando eu fiz os exames em 2014 os resultados não foram bons. Em 2017 quando repeti para fazer a cirurgia eles estavam pior. Eu já havia tentado todos os tratamentos e remédios possíveis para emagrecimento, obesidade. No dia 1 de janeiro de 2017 eu decidi operar e no dia 27 de março eu operei com 164 kg “, explicou.

Pedro de Souza – Antes da bariátrica / Arquivo pessoal do fotografo

Hoje após quatro anos da cirurgia o fotografo diz ter apenas um arrependimento.” Eu só me arrependo de não ter feito antes.”

Pedro de Souza – Após a bariátrica / Arquivo pessoal do fotografo

 

Ainda de acordo com Pedro sua qualidade de vida após o procedimento é outra.

“Eu tinha episódios severos de apneia do sono, um exame constatou que eu tive mais de 700 paradas respiratórias leves e mais de 30 severas ( aquelas com mais de 20 ou 30 segundos sem respirar). Eu também tinha esteatose hepática grau 3 (causada por gordura no fígado), hipertensão e pré- diabetes de modo geral, eu estava ruim. Após a cirurgia meus exames zeraram todos. Tudo que eu tinha de comorbidade zerou” relatou Pedro.

Psicológico

Além do físico, o fotografo relata se sentir outra pessoa após o procedimento e que os problemas relacionados a autoestima foram solucionados. “Eu via que as pessoas aproveitavam da minha boa vontade, porque atrás da minha obesidade tinha um cara tímido. O que mudou no meu psicológico foi: Eu tive um ganho muito grande na minha autoestima, confiança, até no meu posicionamento profissional”, contou Pedro.

Antes e depois de Pedro de Souza / Arquivo pessoal do fotografo

Mesmo com os ganhos, Pedro disse ter sido preciso ajuda psicológica para conseguir se enxergar no novo corpo. E inclusive passou por um episódio de depressão. “Eu cheguei para uma consulta, estava com 72 kg e o médio olhou pra mim e perguntou? Como você veio? Cadê sua esposa? Eu disse que havia ido de Uber e tal. E ele falou, vamos ali, você está com depressão e eu vou te internar. E eu fiquei ali internado por 3 dias no soro”, explicou.

Em relação alimentação, Pedro disse ter mudados e hábitos e que seu paladar também não é o mesmo.

“Hoje depois da bariátrica meu paladar mudou, eu gostava de comida mais seca, agora eu gosto de carne de panela, que eu não comia, comida japonêsa. Por mudar a forma de comer, você passa a apreciar os alimentos, e o meu mudou tanto que eu acabei virando especialista em café” contou Pedro.

Entretanto, mesmo com alimentação saudável ele diz fazer uso contínuos de vitaminas. Porém, diz que isso não interfere no seu dia a dia. Após a cirurgia, a maioria dos pacientes precisam de repor vitaminas, porque o organismo não consegue absorver os nutrientes necessários dos alimentos.