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Comemorar a morte de alguém pode ser indício de algum transtorno, explica psiquiatra

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Nos últimos dias, e impulsionado pela crise política e pela pandemia, foi possível ver muitos depoimentos nas redes sociais em tom de comemoração pela morte de alguém. O fato mais recente foi o de Olavo de Carvalho, em que diversos internautas festejaram a morte do escritor.

Essa atitude vem gerando vários questionamentos: É certo ou errado comemorar a morte de alguém? O que gera essa reação? Há algum transtorno psicólogo por trás disso?

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O psiquiatra Sávio Teixeira explica que a atitude de comemorar a morte de alguém não é enxergado pela psiquiatria de modo diferente, que esse é um reflexo dos tempos atuais mas em algumas situações, pode ser indício de algum transtorno.

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“Temos que olhar para isso mais como um fenômeno social, uma sociedade cada vez menos empática. Pode até ser que algumas pessoas que comemorem a morte de outros tenham algum transtorno ou traços de personalidade menos empáticas, mas diagnósticos individuais somente podem ser dados após análises individuais. De forma geral, digo que essa atitude não indica, isoladamente, um transtorno mental”, relata o especialista.

Motivo de comemorar a morte de alguém,

Sávio ainda conta que as segregações sociais, que gera a atitude de comemorar o falecimento de alguém, são inflamadas pelas redes sociais, nas quais qualquer um pode dar sua opinião sem muito filtro e ainda ganhar apoio de muitas pessoas semelhantes. O especialista diz que sentir um alívio pela morte de algum desafeto ou pessoa natural é um sentimento humano, mas por ser também uma questão de tradição, deve ter respeito.

“A morte causa diversos sentimentos ambivalentes, as vezes até alívio e felicidade em alguma medida. A questão é que a morte também é um momento tradições de respeito, na qual se deixa as diferenças de lado e se guarda esses sentimentos ambíguos para a esfera da pessoalidade individual. Mesmo que se sinta isso, não é de bom tom externalizar isso, porque a morte de alguém também significa sofrimento para pessoas ainda em vida”, diz Teixeira.

Mesmo não sendo identificado nenhum fenômeno ou transtorno individual, o psiquiatra fala que precisamos repensar nossa sociedade, para que isso não gere coisas piores no futuro.

“Cada vez mais nossa sociedade caminha para a falta de empatia e respeito aos semelhantes. As consequências disso é uma sociedade perversa, com pouco espaço para diálogo e relacionamentos saudáveis. Uma sociedade adoecida”, conclui.