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Críticas de Adriana Accorsi a Lula sinalizam candidatura com perfil “independente” em Goiânia

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A deputada federal Adriana Accorsi (PT) ganhou espaço nas manchetes nacionais, no último fim de semana, com surpreendentes críticas ao presidente Lula. Ainda que adotando uma posição corporativista, ao defender direitos que foram suprimidos da Lei Orgânica Polícia Civil diante de vetos do presidente Lula ao projeto aprovado pela Câmara, Adriana causou espanto. Ela, historicamente, é fidelíssima ao PT e a Lula e quase não dá declarações sobre qualquer assunto sem enfiar no meio elogios ao presidente.

O que houve? Primeiro, Adriana é delegada de polícia de carreira da Polícia Civil em Goiás. Depois de chegar à Câmara Federal, ela mostrou uma atuação buscando se situar como representante da categoria, em termos nacionais. Visitas a ministros e discursos têm sempre como tema a promoção dos interesses salariais e funcionais dos colegas de profissão.

Segundo, há a questão de Goiânia. A candidatura a prefeita, em 2024, é muito mais competitiva que as duas anteriores, quando sequer foi para o 2º turno. Dessa vez, Adriana está no páreo para valer. Cresce nas pesquisas e aparece sempre empatada com o senador Vanderlan Cardoso. As chances são reais, mas ela sabe que enfrentará um eleitorado hostil com a esquerda: no ano passado, no pleito presidencial, as goianienses e os goianienses votaram maciçamente em Jair Bolsonaro, que venceu na capital com uma vantagem de 2 votos a 1.

Mostrando alguma independência em relação a Lula, a deputada fatura pontos positivos, portanto. Além disso, nas pesquisas qualitativas seu nome aparece em alta em razão da sua condição de gênero e até mesmo do conhecimento e experiência decorrentes do cargo de delegada, em um momento em que a segurança pública é altamente valorizada como resultado da queda dos índices de criminalidade depois que o governador Ronaldo Caiado assumiu. Segurança, como se sabe, é bandeira da direita, mas Adriana Accorsi dá uma beliscada e se beneficia também.

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