Eleições ganham projeção internacional: Tucker Carlson Tonight é apresentado do Brasil

Por uma semana, apresentador mais assistido dos Estados Unidos transmite seu programa na Fox News diretamente de cidades brasileiras

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Você já ouviu falar em Tucker Carlson? Trata-se de ninguém menos que, provavelmente ao lado do ex-presidente Donald Trump, o homem mais amado e odiado dos Estados Unidos: tudo por ser apresentador do programa jornalístico de maior audiência da história da TV a cabo americana, que conquista a marca de mais de quatro milhões de expectadores assíduos.

Hoje em dia, Tucker é na TV americana –e mundial, por conta de seu alcance– o que Rush Limbaugh, há pouco falecido, representava no radialismo estadunidense: a voz conservadora que chega até o “homem comum” norte-americano: aquele que não pertence à elite política, financeira ou universitária, e que resguarda valores básicos dos pais fundadores da nação (levantando bandeiras como o patriotismo e a liberdade de expressão).

Em outras palavras, Tucker é o jornalista da Fox News, o maior canal conservador do mundo, com maior alcance para fazer oposição às redes midiáticas convencionais, como a CNN e a NBC. Por isso, seus monólogos, com análises pontuais sobre os principais assuntos da política, ressoam não somente entre seus correligionários, mas chegam a toda população americana.

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Os democratas, à esquerda, também compartilham as falas de Tucker Carlson em suas redes sociais, mas sempre enfurecidos, considerando-o ora como um representante opressor da “supremacia branca” e do patriarcado inescrupuloso, ora apenas como um idiota que, “convenhamos, fala muito bem“.

Talvez a isto se atribua o sucesso de Tucker: ele irrita as opiniões mainstream, sendo nada comum em suas análises, quase sempre tão afiadas que levam a audiência a pensar: “ele é louco de ter coragem de dizer isso na TV“. Justamente por essas características, os conservadores (eleitores do Partido Republicano) o devotam tanta atenção e prestígio.

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Agora, acontece que o senhor das polêmicas jornalísticas está no Brasil, apresentando seu programa Tucker Carlson Tonight ao vivo, direto de cidades brasileiras, com as paisagens litorâneas do Rio de Janeiro ou ainda a arquitetura modernista de Brasília servindo de plano de fundo.

Ele deve ficar por uma semana, e já fez questão de explicar a que veio: está gravando um documentário que investiga a influência das empresas mandarins e do próprio governo comunista chinês no Brasil. Ou, como melhor resumiu o enunciado na tela da Fox, em caixa alta: “Brasil vira colônia da China“.

No programa exibido para todos os Estados Unidos na noite da última quarta-feira, 29, Tucker destacou a importância do Brasil no cenário geopolítico do mundo: e ele está coberto de razão ao dizer que o “último país pró-América” do continente é um ponto estratégico para delimitar as futuras configurações ideológicas do planeta.

Discurso que foi confirmado e repetido pelo presidente Jair Bolsonaro, num pequeno trecho exibido da entrevista que concedeu a Carlson e que deve ser transmitida na íntegra na noite desta quinta-feira, 30: com a derrota presidencial de Donald Trump, e a sequência de vitórias da esquerda em eleições da América Latina, o Brasil surge como o último suspiro conservador do ocidente, e ao mesmo tempo o derradeiro de grande influência a nível global.

Se, pelo lado de Lula, o principal rival de Bolsonaro que representa a esquerda brasileira, as eleições já ganhavam apelação ao exterior: sendo capa da revista Time ou visitando chefes de estado como Emmanual Macron (da França), agora a briga eleitoral também está oficialmente travada -e equilibrada- no plano internacional.

Os Estados Unidos, de onde importamos muitas lutas ideológicas, assistirá, em massa, a versão da história contada pela ótica direitista de Bolsonaro. Sobre o assunto, Tucker Carlson alfinetou: “Ele não se parece em nada com o que ouvimos da mídia. Espera, já vimos esse filme antes?“, estabelecendo clara comparação entre as figuras de Bolsonaro e Donald Trump.

Ao que parece, Tucker não somente contará aos americanos a versão da história recente do Brasil pela visão conservadora, como entrará em assuntos desconhecidos até mesmo pelo brasileiro médio: eu e você que nunca, ou quase nunca, ouvimos essa história de que a China está tomando conta do nosso país –e violando a soberania nacional– por meio de seus negócios e aquisições.

No mais, é estranho, embora incrivelmente proveitoso ouvir terceiros comentando sobre nós a partir de suas perspectivas de mundo: durante o último programa, Tucker comentou das restrições à aquisição de armas no Brasil com tamanha estranheza que nos leva a pensar: ora, então o nosso normal não é tão normal assim? Não é isto que é comum para todo mundo?

Pelo jeito, não é mesmo. Ademais, o filho do presidente, deputado Eduardo Bolsonaro –velho visitante do programa de Tucker e da Fox americana– também foi entrevistado e aproveitou o espaço da última edição para, além de ressaltar a queda de índices de violência durante o governo de seu pai, botar mais fogo ainda nas próximas disputas eleitorais, que já prometem tanto: chamou Lula de “ex-presidiário” na frente de todos os Estados Unidos.

E fica nisto: vejamos com atenção o que trará de verdade para nós, brasileiros, a luta eleitoral travada, agora oficialmente, nas plataformas midiáticas do mundo todo por ambos os lados: direita e esquerda. Até porque, no final das contas, é saudável olhar por cima: e enxergar, a partir dos outros, o que é impossível quando estamos dentro da bolha.