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Estudantes goianos protestam contra atraso em bolsas de estudos

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Há mais de duas semanas, alunos goianos de licenciaturas estão sem receber bolsas de formação docente do governo federal. O pagamento é referente ao mês de setembro e deveria ter sido pago em 10 de outubro. Para exigir o depósito do auxílio que contempla 60 mil pessoas em todo o país, um grupo liderado por entidades estudantis está reunido nesta terça-feira(26) em Brasília.

O valor de R$ 400 de iniciação à docência dos programas PIBID (Programa de Iniciação a docência) e a Residência Pedagógica é estratégico para a sobrevivência dos futuros professores de universidades públicas e universidades particulares durante os estudos.  Sem ele, muitos universitários passam por dificuldades financeiras.

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“Por meio dos programas, nós desenvolvemos a cultura de professor pesquisador, criamos conteúdos didáticos, fazemos nossas primeiras intervenções, ou seja, aulas, e adquirimos experiência. Muitos de nós não trabalham e/ou só ganham um salário mínimo. Essa ajuda financeira possibilita que a gente compre um livro, faça uma cópia, se inscreva em algum evento, coma ou mesmo ajude em casa”, detalha o estudante do 6º período de História do Instituto Federal de Goiás (IFG) – Câmpus Goiânia, Matheus Alves.

 

Foto: arquivo pessoal

O temor dos estudantes é por mais atrasos. Em nota publicada no site, a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), responsável pelos programas, afirma que a solução está nas mãos do Legislativo Federal e sinaliza que a situação deve se estender. O montante voltado para o pagamento depende de aval de deputados e senadores. Trata-se de um crédito suplementar para arcar com R$ 124 milhões previstos como pagamento de bolsas de formação docente até dezembro deste ano.

“Os recursos necessários já foram disponibilizados pelo Governo Federal, existindo, entretanto, a necessidade de aprovação de Projeto de Lei do Congresso Nacional para a execução do orçamento”, informa a fundação. Ainda no comunicado, a Capes explica que o pagamento de bolsas de pós-graduação está sendo pago regularmente por ser realizado em rubricas orçamentária diferentes”, comunica a Capes.

Além dos R$400 pagos aos universitários de licenciatura, também recebem bolsa professores supervisores (R$ 765), coordenador de área (R$ 1,4 mil) e coordenadores institucionais (R$ 1,5 mil).

Do Twitter para as ruas

Desde a semana passada, os contemplados pelos programas federais estão reclamando da falta de pagamento. Após subiram hashtags no Twitter e no Instagram, eles agendaram o protesto de hoje em prol da valorização da ciência e educação em todo o País, inclusive no Congresso Nacional.

“Isso perpassa pela revogação do teto de gastos, para não faltar orçamento para investir na educação e ciência e honrar com os compromissos das bolsas, pagar a bolsa atrasada e nos dar garantias do pagamento das bolsas futuras até terminar o edital”, de acordo com Matheus, que é representante de Goiás na luta do Resiste PIBID e RP e do C.A de história do IFG Goiânia.

Faltam professores

O atraso inédito no programa de formação de docente coincide com a crescente falta de interesse pela carreira. Um levantamento feito em 2017 pelo movimento Todos Pela Educação, a partir de dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), mostrou dados assustadores. De 100 estudantes do curso de Pedagogia e licenciatura, 51 concluem a graduação. No entanto, ao final da universidade, somente 27 têm interesse em seguir na docência.

Para piorar, o ensino médio técnico implementado com a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) demanda professores da área de exatas para a formação profisisonal. No caso do ensino médio tradicional em escolas públicas, a escolha de disciplinas do itinerário formativo de matemática e ciências da natureza poderá ser comprometida. O problema é que docentes nessas áreas estão em falta. Em 2004, o MEC já reconhecia uma carência estimada em 200 mil professores de Matemática, Física e Química em todo o Brasil.