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Não Se Preocupe, Querida: um filme desconfortavelmente fascinante

Obra está disponível no catálogo da HBO Max e conta com um elenco recheado de nomes conhecidos de Hollywood, incluindo o cantor Harry Styles

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Chegou na plataforma de streaming HBO Max um filme que mistura suspense, mistério e toques pulsantes de drama. “Não Se Preocupe, Querida” marca o segundo título da atriz Olivia Wilde como diretora, após “Booksmart”, sendo que ela também atua no longa. Mas será que vale a pena?

Sinopse de Não Se Preocupe, Querida

Não Se Preocupe, Querida conta a história de uma comunidade de nome Vitória, nos Estados Unidos dos anos 1950. O filme mostra uma realidade comum daquela época, com os homens saindo para trabalhar e sustentar as famílias, enquanto as mulheres permanecem dentro de casa cuidando dos afazeres domésticos.

Alice (Florence Pugh) e Jack (Harry Styles) formam um desses casais tradicionais do período. Ambos vivem uma vida feliz e tranquila juntos. Porém, quando Alice começa a perceber inconsistências dentro daquela própria realidade, começa a se perguntar em quem pode acreditar, mergulhando em uma jornada de paranoia e mania de perseguição.

Vale a pena gastar tempo com o filme?

O filme pode não parecer grandes coisas, em uma observação primária. Afinal de contas, Hollywood está entupida de histórias de época, e por algum motivo os norte-americanos adoram os anos 50. No entanto, esse é apenas o panorama inicial de Não Se Preocupe, Querida. Na verdade, o longa é muito mais do que aparenta ser.

Ele demora a decolar, é inegável. A trama se mostra confusa durante uma boa parcela de tempo, o que pode tirar a paciência de alguns espectadores. A trilha sonora também tende a ser um pouco cansativa, considerando que, a cada cinco minutos, uma música diferente toca, como se para reforçar que o enredo se passa em uma época específica.

No entanto, mesmo nos piores momentos do filme, um elemento sustenta tudo no lugar: a interpretação de Florence Pugh. Cada vez mais, a jovem atriz vem despontando no cenário cinematográfico. Desde a participação em obras mais conceituais, como “Adoráveis Mulheres”, ao popular “Viúva Negra”, passando pelo terror “Midsommar”, Pugh vem mostrando versatilidade.

Em Não Se Preocupe, Querida, ela é a grande estrela. No início, a sua personagem não rende uma grande intriga, mas vai crescendo a cada cena, até que nos vemos totalmente engajados na sua jornada. Grande parte disso é o roteiro que fornece, é claro, mas o papel em mãos erradas poderia não ter rendido o efeito desejado.

Em termos de experiência, a obra cresce principalmente após a segunda metade, com uma reviravolta instigante. O filme decide não se resumir a um corriqueira trajetória de descendência à loucura, oferecendo também uma visão crítica a respeito da nossa própria sociedade.

Não Se Preocupe, Querida é desconfortavelmente real, ao mesmo tempo em que não esconde as fantasias. Porém, uma boa parcela dessas fantasias é metafórica, o que dá ainda mais peso para o texto. É um filme de inconsistências, bebendo excessivamente da fonte de outros filmes, mas que oferece um suspense digno e um ar cativante de mistério.

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