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Os 2 recuos do desembargador que “foi mal” ao defender a extinção da PM

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Depois de expor no curso de um julgamento a sua “reflexão pessoal” de que a Polícia Militar deveria ser extinta, o desembargador Adriano Roberto Linhares Camargo amarelou com o tamanho da repercussão de sua fala e deu um passo atrás. Um, não. Vários. E fez bem.

Assim que o governador Ronaldo Caiado se pronunciou, repudiando com veemência a posição do magistrado e mais ainda as insinuações – no caso, sem provas, diga-se de passagem – de que a PM comete “abusos e excessos” no combate ao crime, o dr. Adriano imediatamente tornou público o primeiro recuo. “Não tive nenhuma intenção de atingir a quem quer que seja, absolutamente. Apenas estava ponderando sobre episódios que me inquietavam. Apenas isso. Sem nenhuma intenção de ferir ou atingir quem quer que seja, ainda mais a quem não conheço. Lamento o mal-estar que causou e espero que possa ser superado o mais rápido possível”, proclamou, ainda no calor do impacto provocado pela sua “reflexão pessoal”.

Enquanto o Tribunal de Justiça isolava o magistrado, ao não endossar as suas críticas e ao manifestar respeito e reconhecimento pelo trabalho da PM em nota oficial, as “desculpas” iniciais do desembargador acabaram soando insuficientes. E ele tratou de se corrigir, correndo para admitir com objetividade que errou, disfarçando o constrangimento atrás de uma linguagem empolada. “Ao que tudo está a indicar, diante da repercussão que se seguiu, não houvera andado bem ao registrar uma impressão pessoal que não expressa adequadamente minhas ponderações sobre a quase bicentenária instituição”, acrescentou então.

Em resumo: foi mal. “Não houvera andado bem” significa exatamente isso: foi mal. No mesmo recuo, o segundo, Sua Excelência classifica os integrantes da PM de “dignos” e ainda deixa claro que “eles merecem a consideração e a admiração de todos”. Inclusive, como se vê, dele próprio, o desembargador. Encerrada a polêmica, portanto. Não foi uma “opinião pessoal”. Foi um escorregão pessoal.

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