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Rejeição de candidatos na pesquisa eleitoral de Goiás, mostra espaço de crescimento para oposição

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O cenário político de Goiás desenhado pelo resultado da primeira pesquisa de intenção de voto, divulgada na noite de ontem (26) pela Serpes, encomendada pela Associação Comercial, Industrial e Serviços de Goiás (Acieg), não surpreende lideranças políticas. O governador Ronaldo Caiado (DEM) lidera a posição, mas logo atrás está Marconi Perillo (PSDB), o qual, ele e seu grupo tucano, governaram Goiás por mais de 20 anos e possui uma consolidada base eleitoral em todo o estado. Depois, Gustavo Mendanha, ainda sem partido, não aparece mais isolado, como pensavam aqueles que analisam o ‘jogo político’ por bolhas sociais.

Mas, talvez mais importante que observar os primeiros lugares, é analisar a rejeição. Para o professor e cientista político Guilherme Carvalho, a rejeição indica chance de crescimento “Quanto maior a rejeição, menor o espaço para crescimento. Quando a pessoa diz que não votaria de forma nenhuma naquele candidato, ela dá uma negativa quase que definitiva. Muito dificilmente essa pessoa pode ser dissuadida a mudar de voto”, entretanto, o professor pontua “Apesar disso, pode ainda ocorrer essa mudança, pois o voto não é algo estanque e isso é bom para que a gente entenda que pesquisa é retrato de momento, ou seja, se a eleição fosse hoje, provavelmente o resultado seria parecido com este, mas como não é, a gente ainda tem um tempo para que as variáveis se encaixem nos lugares”, diz.

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Nesse contexto, o tucano Marconi Perillo é o mais rejeitado (25,3%), seguido por Ronaldo Caiado (19,5%). Gustavo Mendanha e Wolmir Amado são os menos rejeitados, com 4,7% e 4,2%. Segundo o professor, esses números mostram um cenário favorável ao Mendanha “A rejeição dele apresenta um espaço de crescimento para grande. É importante lembrar que o Gustavo, apesar de ter anunciado que seria candidato, ainda não colocou o ‘carro’ dele na rua. A campanha dele não começou e ele nem filiado está, entretanto, ele aparece muito bem postado para quem é apenas prefeito de um dos maiores municípios do estado (Aparecida de Goiânia), então, isso mostra que o espaço amostral para crescimento do Gustavo é o maior entre todos os candidatos, inclusive do Caiado”, diz.

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Lula e Caiado eleitos. O que isso significa?

Indagado por esta Coluna se o eleitor goiano pode estar confuso em eleger o PT no âmbito nacional e o DEM – agora, União Brasil, ao lado do PSL – no âmbito estadual, o professor Guilherme afirma que esse fenômeno acontece em todo o Brasil “Os arranjos a nível local são diferentes dos arranjos a nível nacional. A relação que o eleitor tem com o governador é diferente da relação que ele tem com o presidente. É bastante comum que o eleitor se identifique com uma bandeira do PT a nível das suas pautas sociais e, de repente, com as bandeiras de segurança pública do governador Ronaldo Caiado. Isso é totalmente natural. O eleitor não está pensando em identidade ideológica, ele está pensando em programas de governo”, ressalta.

Bolsonaro em segundo lugar, mas ainda bem posicionado em Goiás

Segundo o cientista, mesmo Lula liderando a pesquisa, Bolsonaro está “muito bem pontuado”. Ele ainda acredita que em Goiás, o presidente tenha um desempenho melhor do que em outros estados, pois está acima da média das pesquisas nacionais. Apesar disso, o cenário para o petista segue favorável “Lula goza de ‘recall’ e ele acaba por ter uma relação muito boa com o eleitorado no aspecto da Economia. Ele consegue dialogar muito bem com esse eleitor que não está preocupado em votar ideologicamente, mas está preocupado em votar a nível de programa de governo”, diz.

Esquerda se prepara em Goiás

A presidente do PSOL em Goiânia, Manu Jacob, que já disponibilizou seu nome para essas eleições de 2022, acredita que o mais importante no momento é a união entre os partidos de esquerda para que consigam sustentar um diálogo “Goiás sempre foi governado pela direita e estamos vendo no último período um crescimento da extrema-direita, inclusive de grupos neofascistas. O resultado que vemos é de uma insatisfação popular”, diz.

Ela reforça que “ A unidade da esquerda goiana é um salto de qualidade para fortalecer uma alternativa política que não seja refém dos interesses do agronegócio e da elite conservadora em Goiás”.

Debandada no alto escalão goianiense

Na madrugada de ontem (26), o prefeito de Goiânia, Rogério Cruz (Republicanos), exonerou quatro funcionários do alto escalão da Secretaria Municipal de Mobilidade. Dentre, estão os diretores de Trânsito, de Engenharia de Trânsito e de Gestão do Transporte Público. Além deles, foi exonerada também a chefe da Advocacia Setorial. Para este último cargo, no mesmo Diário Oficial do Município (DOM), já possui uma nova nomeação. Não se sabe ainda o motivação das exonerações.

Já no estado de Goiás…

O jornalista Gean Carvalho, tio do pré-candidato a vice-governador de Goiás, Daniel Vilela (MDB), foi convidado pelo governador Ronaldo Caiado (DEM) para assumir a Secretaria de Comunicação do Estado (Secom). Entretanto, pode ser que haja um impedimento legal na indicação, visto que Gean Carvalho é dono do Instituto Fortiori e da Agência Desigual. Atualmente, as empresas possuem um contrato com o Departamento Estadual de Trânsito (Detran-GO) e também com a Assembleia Legislativa de Goiás (Alego). Gean já foi secretário de Comunicação de Maguito Vilela (MDB).

Alta

O ex-governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB) já recebeu alta depois de conseguir estabilizar a frequência cardíaca. Ele havia sido internado no Hospital Ruy Azeredo, em Goiânia. Segundo o boletim médico, ele está “em boas condições, com recomendações de repouso domiciliar e uso de medicações”.