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Sergio Moro se filia ao Podemos e é um dos candidatos da terceira via ao Planalto

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O ex-juiz Sergio Moro, famoso pela Lava Jato, fez um discurso a nível de presidência e carrega consigo o slogan "Por um Brasil mais justo"

O ex-ministro da Justiça e ex-juiz Sergio Moro formalizou hoje (11), em Brasília, sua filiação ao Podemos. Além de reunir diversas autoridades políticas, a propaganda consagrou um slogan de nível nacional “Por um Brasil mais justo” e o discurso de um já candidato à Presidência da República.

A fama de Moro se dá pelo trabalho realizado na Operação Lava Jato, a qual investigou esquema de corrupção e desvio de recursos públicos envolvendo a Petrobras. Na operação, dentre as mais de cem condenações, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ex-presidente da Câmara Federal, Eduardo Cunha, foram presos por decisões do juiz, que estava na 13ª Vara Federal Criminal de Curitiba.

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Sergio Moro deixou a magistratura em 2018 após o convite do presidente Jair Bolsonaro para assumir o Ministério da Justiça, entretanto, a relação dos dois não durou muito tempo. Moro permaneceu no alto escalão do governo por um ano e quatro meses e sua demissão não foi tranquila. O ex-ministro, que tinha “carta-branca” do presidente, acusa Bolsonaro de tentar interferir na Polícia Federal (PF), ao trocar o diretor-geral da PF sem nem ao menos comunicar o ministro, já que é um órgão ligado ao Ministério.

Moro como presidente?

O jornal Diário do Estado conversou com o deputado federal José Nelto (Podemos), atualmente líder do partido na Câmara Federal e presidente estadual do Podemos Goiás.

De acordo com o político, “depois de muitas conversações de Moro com o partido e avaliando a nossa ideologia, ele tem que colocar o seu nome para ser mais uma opção para o povo brasileiro”, dando indícios da candidatura à presidência. O deputado continua “todos nós juntos podemos fazer um Brasil melhor e mais justo. O ato de filiação dele é mais uma alternativa para o povo brasileiro que não quer ficar com governo (atual) e não quer o Lula”.

Nelto ainda avalia a polarização política do país “o povo cansou dessa briga de extremos. As pessoas querem construir um futuro de amor, sem ódio e sem rancor. A gente vê aí lares divididos, trabalhadores e empresários de lados opostos. O Brasil precisa crescer com liberdade de imprensa e sem fakenews. Quem promove notícias falsas tem que ir para a para a cadeia”.

A economia também faz parte da pauta do Podemos “vamos apresentar uma agenda positiva para a economia: uma agenda costurada com os maiores economistas do país, dando segurança jurídica aos empresários e fazer as reformas necessárias que o Brasil precisa. Vamos combater a corrupção, pois ninguém tem dúvidas de que o Moro colocou na cadeia corruptos e empresários. Vamos acabar com as indicações políticas, o foro privilegiado e o retorno da prisão após condenação em segunda instância”, defendendo o novo aliado de partido.

Questionado sobre o candidato do Podemos ao governo de Goiás, o deputado foi categórico “fazemos parte da terceira via desenvolvimentista. Com o União Brasil, nosso candidato em Goiás é o Ronaldo Caiado. Vamos conversar nos próximos dias”, o político afirma que logo após a filiação do Moro, ao menos 246 políticos de Goiás entraram em contato com o partido para filiação.

Sobre ser novamente um candidato a deputado federal, José Nelto não garante “hoje é federal, amanhã já não sei”, disse.

Discurso: “Corrigindo de dentro para fora”

Durante o discurso, Moro abordou diversos temas, entre eles meio ambiente, saúde, economia, segurança pública, liberdade de imprensa e combate a corrupção. Primeiramente, ele falou um pouco sobre sua trajetória e sobre a Lava Jato: “Eu sempre fui considerado um juiz firme e fiz justiça na forma da Lei […] quebramos a impunidade da grande corrupção de uma forma e com números sem precedentes. Julgamos e condenamos pessoas poderosas do mundo dos negócios e da política que, pela primeira vez, pagaram por seus crimes”.

Moro comentou também sobre a sua saída do governo de Bolsonaro “Quando vi meu trabalho boicotado e quando foi quebrada a promessa de que o governo combateria a corrupção, sem proteger quem quer que seja, continuar como ministro seria apenas uma farsa. Nunca renunciarei aos meus princípios e ao compromisso com o povo brasileiro. Nenhum cargo vale a sua alma”.

Já se posicionando como a terceira via entre o atual governo de Bolsonaro e Lula, Moro critica a condução do país no plano econômico e alfineta a taxa de desemprego na época do PT “Os juros subiram, dificultando ainda mais a vida do empresário, do agricultor ou das pessoas comuns. E os juros ainda vão subir neste governo e isso vai tornar a vida das pessoas ainda mais difícil. Não falo por ser pessimista, mas porque o país está indo para o rumo errado. Como exemplo, é só olhar o número elevado de pessoas desempregadas e há quanto tempo as coisas estão assim. Desde a época do governo do PT, o desemprego começou a crescer e não parou mais: Atualmente são 14 milhões de desempregados, sem contar aqueles que já desistiram de procurar empregos… e sem perspectivas de melhorar”.

Moro fala sobre a volta do Brasil depois de ter passado um tempo nos Estados Unidos da América trabalhando em uma empresa “Após um ano morando fora, eu resolvi voltar. Não podia ficar quieto, sem falar o que penso, sem pelo menos tentar mais uma vez, com você, ajudar o país. Então resolvi fazer do jeito que me restava: entrando para a política, corrigindo isso de dentro para fora”.

Ao final, Moro se coloca a disposição para ser um “guardião vigoroso do interesse público, como um protetor dos direitos de todos os brasileiros e brasileiras”. Nos últimos anos, quando questionado se entraria na política, Moro sempre negou sua intenção. Os dois principais pré-candidatos ao cargo da Presidente da República para 2022, Bolsonaro e Lula, acusam o ex-juiz de agir com interesses eleitorais em suas decisões.