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“A prioridade é criar um palanque para o Lula em Goiás”, afirma presidente do PT estadual

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Live DE Poder - Kátia Maria (PT)

O jornal Diário do Estado entrevistou a presidente estadual do Partido dos Trabalhadores (PT) em Goiás, Kátia Maria. Kátia é mestre em Estudos Socioambientais pela Universidade Federal de Goiás e foi candidata a governadora pelo estado em 2018. Durante a conversa, ela comenta sobre a agenda política da sigla em Goiás, o enfretamento ao governo de Ronaldo Caiado (DEM), o cenário nacional para o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a preocupação com a retomada da economia, geração de emprego e renda.

A primeira pergunta à Kátia foi sobre a avaliação da pré-candidatura de Lula à presidência da República. Segundo ela, a análise é positiva “a cada pesquisa que sai o Lula lidera (as intenções de voto). Em todas elas a população brasileira mostra que quer o PT governando mais uma vez, querem o Lula fazendo aquele governo que as pessoas podiam comer três vezes ao dia, podiam fazer o churrasco no final de semana, podia ter acesso a casa própria, ao carro e a gasolina era uma realidade”, afirma.

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Ela continua “a população está esperançosa em poder buscar esse horizonte que foi mostrado pelo partido dos trabalhadores, no qual era possível levar o Brasil para 6ª potência econômica, distribuindo renda e fazendo com que as pessoas tivessem o direito da comida no prato”, diz entusiasmada.

Kátia afirma que ao contrário do que muita gente pensa, o problema econômico do Brasil não está ligado diretamente a pandemia da Covid-19 e faz referência ao impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff “nós tivemos um golpe em 2016 dizendo que era para melhorar a economia, mas quando tiraram a presidenta Dilma, o Brasil tinha 4,8% de desempregados, era quase um pleno emprego no último ano em que  ela governou”, fala.

A petista afirma que a precarização dos empregos no Brasil se deu depois dessa época com as reformas aprovadas “tivemos reformas trabalhistas, reforma da previdência e terceirização. O problema da economia é a ação equivocada que começou com o golpe, passou pelo Temer e culminou agora no governo Bolsonaro. Nós já tínhamos antes da pandemia 12% de desempregados e agora nós estamos chegando em 15. É um número muito alto e o que é mais grave é que além das pessoas não terem emprego, elas também já não têm auxílio emergencial”, explica.

O PT terá candidato ao governo de Goiás?

Até o momento, o partido não havia se decidido se teria ou não um candidato próprio, entretanto, Kátia afirma que a sigla nunca teve problemas com candidaturas e que o momento é de estudos, diagnóstico do estado e discussões.

Ela afirma que a prioridade no momento é da eleição de Lula para a presidência e que o partido está concentrado na formação das chapas de deputados estaduais e federais e também para o Senado. Kátia critica o governo de Ronaldo Caiado “é tão prejudicial para a população quanto Bolsonaro”, julga.

A presidente do PT cita ainda sobre a gestão do governo Caiado no ensino público “ele atacou a educação e fechou muitas escolas estaduais”, ela comenta também sobre o “desmonte” da Universidade Estadual de Goiás. Kátia afirma que a prioridade é de criar um palanque para o Lula em Goiás e ter um candidato ao governo que faça oposição ao Caiado, mas que “se for preciso, teremos um candidato ao governo”, citando o professor e ex-reitor da Pontifícia Universidade Católica de Goiás, Wolmir Amado, o qual já disponibilizou o nome para a disputa.

Kátia reforça a necessidade de ter uma bancada no Congresso Nacional que apoie o futuro presidente “nós queremos preparar uma chapa forte de deputados porque nós precisamos ter um time completo do Lula. Não adianta estarmos só na presidência da República. É importante que no Congresso, o presidente tenha a maioria das pessoas para conseguir a aprovação da sua pauta e para isso é preciso ter uma bancada competitiva”, diz.

“Caiado queimou a largada”

Ao ser questionada se o PT já havia feito parceria com algum outro partido, ela afirma que não “o único que queimou a largada foi o governador Caiado ao escolher o vice de forma antecipada e ao que me parece tem dado mais dor de cabeça a ele, do que um ganho efetivo”, ela continua “o que percebi é que vários políticos que estão na base do governador estão insatisfeitos, inclusive buscando diálogo com os partidos que são de oposição”, afirma.

Ela defende que existe um momento certo para anunciar alianças “vamos fazer um enfrentamento ao Caiado e, sem sombra de dúvidas, o PT nunca teve dificuldade em ter um nome, mas vamos fazer isso na hora certa, vamos debater por etapa. Ainda vamos discutir o que é melhor, se é a aliança com alguém ou se é uma candidatura própria”, diz.

PT apoia Mendanha?

Em um possível segundo turno para as eleições estaduais entre Ronaldo Caiado e Gustavo Mendanha (sem partido), ela afirma que não estarão com Caiado e que “com toda certeza, se a gente chegar no segundo turno, não vai ser só o PT que será contra ele, vai ser todo mundo junto”, defende.

Essa distância do governo Caiado se justifica, segundo Kátia, pelo próprio plano de gestão do partido “o PT quer tirar a população dessa crise grave em que estamos vivendo. No segundo turno, a estratégia continua a mesma, estaremos juntos com quem apoia o Lula e faz enfrentamento ao Caiado”, conclui.

O fim do Bolsa-família

Outro ponto criticado por Kátia foi pelo fim do auxílio do Bolsa-família, programa permanente de renda estabelecido pelo governo Lula. Ela afirma que o Auxílio Brasil é eleitoreiro e enganoso “estão iludindo as pessoas que o Auxílio-Brasil é a substituição do Bolsa-família e não é. Ele não é um programa continuado, com fonte vinculada no orçamento, ele é um programa tampão, eleitoreiro e que estão colocando agora para dar uma resposta imediata pela baixa popularidade do Bolsonaro”, diz.

Ela afirma ainda que o atual presidente não tem compromisso efetivo com o combate à fome, a distribuição de renda e a geração de emprego “nesse sentido, o nosso projeto é completamente o oposto e na verdade tiraram o PT por causa disso, porque não concordavam com o nosso projeto. Isso abriu campo para que pudessem tirar a presidenta Dilma e depois nós tivemos uma outra parte do golpe que foi fraudar as eleições de 2018 na qual o Lula do processo eleitoral em que ele liderava”, defende.

Ela ainda acrescenta que para o ano de 2021 o cenário é outro, pois todos os processos em que o ex-presidente Lula respondeu, foram anulados. Kátia ainda afirma que a Operação Lava-jato teve interesses parciais e que os envolvidos hoje estão fazendo política.

Lula corre o risco de ser impedido de concorrer às eleições de 2022?

Ao ser perguntada sobre isso, Kátia é objetiva e preocupada “quando a gente está vivendo um período de fragilidade da nossa democracia, a gente não pode brincar e nem duvidar de nada”, diz. Lula está legitimamente habilitado para ser o candidato e para não haver eleição com ele é só se eles avançarem ainda mais no processo do golpe, mas nós estamos atentos”, diz.

Deputados do PT por Goiás

Alguns nomes conhecidos dos goianos já se posicionam como pré-candidatos estaduais e federais pelo PT e, para Kátia, isso possui um saldo positivo “o PT é um partido que tem muitas lideranças”. Ela cita a deputada estadual Adriana Accorsi como um forte nome no estado, o ex-prefeito de Anápolis e atual deputado estadual Antônio Gomide e o deputado federal por cinco mandatos consecutivos Rubens Otoni.

Kátia diz que Otoni é uma das principais pautas de Lula “a reeleição dele é prioridade no partido”. Ela afirma ainda que o intuito do partido é de conquistar duas Congresso Nacional e “quem sabe, na explosão, uma terceira”, diz.

Alianças da sigla

Kátia Maria afirma que o PT está conversando com todos os partidos políticos que tenham abertura para o diálogo e que sejam democráticos. Ela explica que o PT tem feito “um esforço de dialogar com os vários segmentos da sociedade, com o setor produtivo, os sindicatos, os movimentos populares, as associações, os conselhos e com a Academia”, fazendo assim uma agenda sistemática, se referindo as declarações de Lula que “ninguém ganha eleição sozinho”.