Troca de carro por moto cresce, alimentada por aumento no preço da gasolina

Frota de motocicletas em Goiânia aumentou 11 vezes mais que a de carros, considerando o cenário dos dois últimos anos

Em

Com o preço do litro de gasolina na casa dos R$ 8 nas bombas, o goianiense tem buscado novas formas de economizar. “Perdi o emprego e devia mais de R$ 5 mil no cartão de crédito. O jeito foi trocar o carro por moto para eu poder trabalhar em aplicativo de entrega”, conta o ex-funcionário de uma transportadora em Goiânia, Daniel Carvalho Mendes, 36 anos. Recentemente ele trocou um Nissan Livina, 2011/2012 por uma motocicleta Titan 160 ano 2018. “Moto gasta menos e dá para usar trabalhando”, avalia.

Daniel optou por trocar o carro, mais confortável, por um moto, mais econômica (Foto: Arquivo pessoal)

• Compartilhe essa notícia no Whatsapp• Compartilhe essa notícia no Telegram

O mesmo recurso foi usado por Gabriel Fonseca, que trocou um Gol Geração 3 por uma moto também de 160 cilindradas. “A crise está feia. Troquei o carro pela moto para economizar. Não dava mais para trabalhar de carro”. Os dois anunciaram os veículos em um aplicativo de vendas na Internet e fizeram negócio rapidamente. E não para por aí. O vendedor de carros Nazaré, do Vera Cruz 1, em Aparecida de Goiânia, disse que, cada dia mais, clientes o procuram para que ele venda seus veículos ou que os troquem por motos de valor inferior. “Está cada dia mais comum esse tipo de pedido dos meus clientes”.

LEIA TAMBÉM

• Goiás confirma primeiro caso de varíola dos macacos em crianças• Nepotismo: MP recomenda exoneração de nove comissionados, em Luziânia • Vídeo: Motorista desrespeita sinal de pare, bate veículo e invade supermercado, em Goiânia

Com os constantes aumentos nos preços dos combustíveis, a motocicleta, mais econômica, tornou-se um veiculo mais utilizado. Somente nos quatro últimos anos, os combustíveis subiram 171%. Em Goiânia, o número de motocicletas cresceu nos últimos anos. Segundo dados do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran), Goiânia teria mais de 292 mil motocicletas, sendo a quarta cidade com mais motos no país. Em 2020, para cada carro, haviam duas motos no trânsito de Goiânia. Agora há 22 motos para cada carro, um número 11 vezes maior que o constatado há dois anos.

Ana Clara, de 28 anos, trocou a moto pelo transporte coletivo quando foi transferida de posto no trabalho. Ela atuava próximo ao Estádio Serra Dourada e agora trabalha perto da Praça Cívica, na mesma empresa. “Achei mais vantajoso deixar a moto em casa e ir de ônibus. O ponto é perto de onde moro e desço praticamente na porta do trabalho. É mais barato e mais seguro. A economia que faço compensa para fazer outras coisas ao longo do mês”, contou. Apesar da passagem cara e do serviço “não muito bom”, o transporte coletivo acabou se tornando opção para ela, já que a empresa paga o vale-transporte para os funcionários.

O frentista José Macedo, que trabalha há 4 anos em um posto de combustíveis no Loteamento Celina Park, disse que os fregueses estão tentando completar o tanque dos carros e motos enquanto o preço do litro de gasolina ainda está em R$ 7,17. A partir de amanhã, quando novo carregamento do combustível chega ao posto, o preço deve chegar a R$ 7,52, um aumento esperado de 5%. “Até aqui na bomba já notamos um aumento no número de trabalhadores usando motocicletas para se deslocar de casa para o emprego. Eu mesmo uso só moto”, revela.

A troca de carro por moto preocupa as autoridades da Saúde. Segundo dados do Departamento de Trânsito de Goiás (Detran-GO), apesar de ser mais econômica, o aumento no número de motocicletas nas ruas aumenta também o número de acidentes, de feridos e de mortes no trânsito. Este tipo de ocorrência representa cerca de 30% dos atendimentos nos hospitais goianos, com custos maiores porque demandam ortopedia, traumatologia, torácico, neurocirurgia, além de gastos com insumos, tratamento posterior com fisioterapia, demandando mais tempo e dinheiro na recuperação do paciente.

Tags:

Rosana Melo

Rosana Melo é jornalista, vencedora dos prêmios: Prêmio AMB de Jornalismo da Associação dos Magistrados Brasileiros - Regional Centro Oeste; 13º Prêmio Embratel Regional Centro Oeste; 2º Prêmio MP-GO de Jornalismo; Prêmio OAB-GO de Jornalismo - todos em primeiro lugar e menção honrosa como finalista em dois Prêmios Esso categoria Jornal Impresso.