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Vídeo: Criança de 2 anos busca tratamento contra leucemia após ser rejeitada por três hospitais

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Há duas semanas a família da pequena Maria Hellena de Souza, de 2 anos, luta para conseguir um tratamento contra a leucemia na rede  estadual de saúde. Porém, por conta do baixo peso (13 quilos) e idade, Maria passou por três unidades de saúde em busca de tratamento, mas sem sucesso. Agora, a família da criança foi aconselhada a buscar atendimento em Brasília, no Distrito Federal.

Em entrevista ao Diário do  Estado, a mãe da criança, Regisnaria Souza Neves Santana, explicou que Maria foi diagnosticada com a doença há cerca de 15 dias no Cais de Campinas, em Goiânia. Após o diagnóstico, a criança foi transferida para o Hospital Materno Infantil (HMI).

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“Quando a gente descobriu que ela estava com uma infecção muito grave no sangue, fomos transferidos para o Hospital Materno Infantil. Lá a Maria ficou uma semana internada em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) recendo sangue. Agora, estamos no Hospital da Criança e do Adolescente buscando tratamento. Não conseguimos atendimento no Hospital Araújo Jorge porque a Maria tem apenas 13 quilos e eles só atendem a partir de 15 quilos”.

Sem condições

Regisnaria que é atendente em uma pizzaria diz que a família não tem condições de arcar com as despesas de um tratamento em Brasília. Ela diz que o melhor para a família e que consigam o atendimento necessário em Goiânia.

Ainda de acordo com a mãe de Maria, a criança tem precisado tomar bolsas de sangue. Além disso, Maria tem sentido fraqueza e está com anemia e com as plaquetas baixas.

“Os médicos falam que esse tratamento para crianças não é feito em Goiânia. Mesmo com o quadro dela sendo considerado grave, eles querem que a gente vá à Brasília. Os hospitais e os médicos não estão sendo nada flexíveis com a nossa família. A gente tem que continuar lutando para conseguir atendimento aqui, já que não temos condições de ir para outro estado”, concluiu.

Maria brincando com a boneca em cima da maca / Foto: Arquivo pessoal

Leucemia

Segundo a hematologista Maria Amorelli, a leucemia é um câncer complexo que atinge as células sanguíneas e começa na medula óssea, que é uma espécie de tecido líquido-gelatinoso que ocupa o interior dos ossos. A medula óssea, de acordo com a especialista, desempenha um papel fundamental no desenvolvimento das células sanguíneas, pois é lá que são produzidos os glóbulos brancos, as hemácias (glóbulos vermelhos) e as plaquetas.

Para Maria, a doença faz com que as células da medula óssea que produzem o sangue sejam trocadas por celulares clonais que começam a circular na corrente sanguínea. Ou seja, os glóbulos brancos e os glóbulos vermelhos, agentes mais importantes da defesa do nosso organismo são substituídos, fragilizando a saúde do paciente o deixando mais vulneral a doenças e infecções.

“Existem vários tipos de leucemia que vão desde casos mais leves até casos mais agressivos. Os pacientes com a doença podem ter cansaço extremo, palidez, falta de apetite, manchas vermelhas e roxas pelo corpo, febre, lesões na boca e até quadros infecciosos. A leucemia mais comum em crianças é a linfoide aguda. Porém, caso o diagnóstico seja precoce a chance de cura é muito alta. O tratamento pode ser longe de até dois anos, mas a taxa de sucesso é grande”.

Especialista explica que existem vários tipos de leucemia / Foto: Arquivo pessoal

 

Assista ao vídeo da criança:

Nota Secretária Estadual de Saúde

“A paciente M. H. S., de 2 anos e 5 meses, deu entrada no Hospital Materno-Infantil (HMI), em Goiânia, em 03 de janeiro deste ano, levada diretamente pela família. Não há registro sobre atendimento anterior no Cais de Campinas. Para tal, a orientação é de que procurem a Secretaria Municipal de Saúde da capital.

A internação solicitada pelo HMI, via pronto-socorro, foi autorizada pela regulação estadual para atendimento emergencial devido ao quadro suspeito de leucemia. Apesar do HMI não ser unidade referência para oncologia, o local prestou o atendimento inicial que a paciente necessitava, com internação em leito clínico (enfermaria).

Em seguida, o próprio HMI solicitou à regulação estadual a transferência para outra unidade, sendo a demanda atendida pelo Hospital da Criança e do Adolescente (Hecad), em 11 de janeiro. Ela permanecerá internada no Hecad até que seja finalizada a avaliação da necessidade de Tratamento Fora do Domicílio (TFD)”.