Comissão de Ética arquiva investigação contra ex-ministro de Bolsonaro por reunião golpista

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A Comissão de Ética Pública da Presidência arquivou um processo de apuração contra o ex-ministro Wagner Rosário, que chefiou a CGU durante o governo de Jair Bolsonaro. A investigação era sobre a participação de Rosário em uma reunião presidencial em julho de 2022, na qual se discutiu o que a Polícia Federal chamou de “dinâmica golpista”. Rosário e outros ministros foram investigados após a PF apontar que participantes do encontro articularam ataques ao TSE e à credibilidade das urnas.

Na reunião, Rosário criticou o relatório em andamento na CGU que afirmava que as urnas eletrônicas eram confiáveis. Ele disse que o documento era “horrível” e “uma merda”, sem trazer informações consistentes. Além disso, ele mencionou a dificuldade técnica de auditar as urnas devido às 20 milhões de linhas de programação. Em sua defesa à Comissão de Ética, Rosário afirmou que a reunião não tinha intenção golpista e que sua fala foi clara e direta, focando nos trabalhos de fiscalização do sistema de votação.

No mesmo documento, ele denunciou suposto vazamento ilegal de informações pela CEP, após o processo ser divulgado pela imprensa. O relator do caso, Georghio Tomelin, discordou da acusação, mas reconheceu a falta de elementos para comprovar transgressões éticas, resultando no arquivamento. Tomelin ressaltou que, apesar das falas inadequadas de Rosário, estas se referiam a críticas pessoais à qualidade de relatórios da CGU e à complexidade da auditoria das urnas eletrônicas.

O voto destaca que trechos das manifestações foram inaudíveis, o que dificultou a compreensão e afastou desvios de conduta. O relator justificou que a atuação de Rosário foi limitada a comentários sobre a segurança das urnas, do ponto de vista da CGU, que não possuía especialistas para auditar o sistema eletrônico de votação. O arquivamento do processo foi decidido com base na ausência de provas concretas de posturas antiéticas por parte do ex-ministro.

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