Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a incidência de transtornos de ansiedade é crescente, afetando 9,3% da população brasileira. Numa análise mais abrangente, a psiquiatra Dra. Paula Ribeiro aponta que a chamada fase oral do desenvolvimento, descrita por Freud, sugere que a relação emocional com a boca inicia-se muito cedo na vida, onde as crianças exploram o mundo por meio da sucção. No entanto, na vida adulta, essa ligação se reconfigura, e muitos recorrem a ações que imitam a gratificação oral como uma forma de aliviar tensões. Mas essa solução rápida não resolve os problemas subjacentes, levando a repetições compulsivas desses comportamentos.
Por que roer unhas é um sinal de alerta?
O hábito de roer unhas, conhecido na literatura médica como onicofagia, pode parecer inócuo, mas especialistas alertam que, em muitos casos, esse comportamento é um reflexo de um desconforto emocional mais profundo. A prática oferece estímulos táteis e distração, redirecionando o foco do cérebro para um estímulo físico que, temporariamente, minimiza a ansiedade. As últimas pesquisas da Sociedade Brasileira de Dermatologia destacam que, em casos extremos, essa ação pode evoluir para automutilação leve, um mecanismo que alguns adolescentes usam para lidar com emoções complexas, revelando a necessidade de um olhar atento das famílias e profissionais de saúde.
Comer e beber: alívio imediato, mas efeitos colaterais?
Alimentos que estimulam as áreas de prazer do cérebro, como doces e comidas gordurosas, são frequentemente procurados durante episódios de ansiedade. Quando a tensão aumenta, a busca por esses alimentos pode se intensificar, criando um ciclo vicioso de satisfação temporária seguido de culpa e arrependimento, como apontam estudos publicados na revista The Lancet. Tal comportamento não é raro; de fato, a Fiocruz indica que 47% da população brasileira é sedentária, o que pode agravar a relação com a comida e contribuir para distúrbios alimentares.
Quando buscar ajuda para compulsões?
Embora não todos os episódios de alimentação compulsiva ou roer unhas sejam percebidos como transtornos, é vital observar a intensidade e a frequência com que esses atos ocorrem. Quando um comportamento se torna automático, apesar das consequências negativas, é sinal de que a pessoa pode precisar buscar apoio profissional. A Sociedade Brasileira de Cardiologia também recomenda atenção a esses comportamentos, pois podem estar associados a riscos cardiovasculares, especialmente em situações de stress crônico.
No Brasil, o Sistema Único de Saúde (SUS) oferece suporte a pessoas com transtornos de ansiedade, embora a disponibilidade de recursos ainda seja um desafio. O acompanhamento psicológico tem se mostrado eficaz e, segundo o Ministério da Saúde, a detecção precoce pode prevenir que esses hábitos se tornem crônicos. Medidas como a identificação de gatilhos emocionais e o investimento em práticas de autocuidado podem ser eficazes na transformação de hábitos prejudiciais.
É essencial que esses dados sejam discutidos em ambientes de saúde pública. O Programa Nacional de Imunizações e outros programas de prevenção buscam conscientizar a população sobre a importância da salud mental e estética. Conscientizar sobre a relação entre saúde mental e comportamentos físicos é crucial para prevenir complicações mais sérias que a ansiedade pode causar em muitos aspectos da vida de um indivíduo.
O reconhecimento da saúde mental como parte integral da saúde geral é um passo significativo. A busca por hábitos saudáveis, a prática regular de atividade física e a alimentação balanceada são pilares que podem ajudar a mitigar os efeitos da ansiedade no dia a dia, segundo dados da OMS. O acesso à informação e ao cuidado médico pode mudar drasticamente a qualidade de vida, fomentando um entendimento mais profundo do que a ansiedade significa e como ela pode ser gerida de maneira eficaz.



