Do sigilo à nomeação: como o papa escolhe o novo arcebispo de Aparecida (SP)?
Entenda o processo do Vaticano
Dom Orlando Brandes completa 80 anos em 2026 e deve deixar o cargo. A nomeação
do sucessor será feita pelo papa Leão XIV.
Como é escolhido um arcebispo? Entenda o processo do Vaticano para escolha de
novo líder em Aparecida.
O arcebispo de Aparecida (SP), Dom Orlando Brandes, completa 80 anos em 2026 e deve deixar o cargo. A sucessão será definida pelo papa Leão XIV, seguindo um processo sigiloso conduzido pelo Vaticano.
Brandes vai deixar o posto após dez anos liderando a comunidade católica em
Aparecida, cidade que abriga o Santuário Nacional, maior templo mariano do mundo
e maior igreja católica do país, e que anualmente atrai milhões de devotos de
Nossa Senhora Aparecida, a santa Padroeira do Brasil.
Tradicionalmente, segundo o Código de Direito Canônico, um bispo deve apresentar
seu pedido de renúncia ao papa aos 75 anos, mas, no caso de Dom Orlando, o tempo
do religioso à frente da Arquidiocese de Aparecida foi estendido a pedido do
papa Francisco, em carta enviada pelo pontífice em 2023.
Além de Aparecida, outras cidades do Brasil devem ter mudanças nas lideranças
católicas neste ano, com a escolha de novos arcebispos para São Paulo, Rio de Janeiro e Manaus, por exemplo. O momento é visto como crucial, pois Leão XIV poderá decidir, de maneira pessoal, quem vai ocupar a alta hierarquia do maior país católico do mundo.
Em meio aos trâmites do Vaticano para as novas nomeações no Brasil, o DE entrevistou o assessor de comunicação da Conferência Nacional dos Bispos do
Brasil (CNBB), para explicar como funciona a escolha de um arcebispo, o que é
preciso para ocupar o cargo, e o que é esperado do religioso que assumir o
posto.
O processo para a escolha de uma nova autoridade das arquidioceses está
diretamente ligado com o Vaticano e, de acordo com o assessor de comunicação da
Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Padre Arnaldo Rodrigues, a
nomeação definitiva envolve tempo e uma longa pesquisa da Igreja.
“Primeiramente, para ser arcebispo tem que ser padre, né? Depois, sendo padre,
quem escolhe, quem determina oficialmente se aquele padre vai se tornar bispo ou
não é o papa. É feito todo um processo de consulta. Quando, por exemplo, precisa
nomear um bispo pra cidade X. Então, como que é feito esse processo? Esse
processo, primeiramente, ele passa por uma consulta. Alguns nomes são indicados
e esses nomes são pesquisados antes de serem levados ao papa”, narrou.
A Nunciatura Apostólica, equivalente a uma embaixada da Santa Sé, junto com o
Dicastério para os Bispos (antiga Congregação dos Bispos), é responsável por
conduzir o processo de investigação e seleção dos nomes que serão submetidos à
avaliação do papa, e todo o procedimento ocorre sob absoluto sigilo, inclusive
para os próprios candidatos.
“Ninguém que vai ser bispo fica sabendo que está sendo consultado o seu nome.
Na realidade, isso é feito em sigilo. Chama-se sigilo pontifício. Somente o
papa sabe (…) Qualquer padre pode ser indicado, ninguém se candidata”, disse
o representante da CNBB.
Segundo a CNBB, além do trabalho feito pela embaixada da Santa Sé na seleção e
estudo de possíveis candidatos, os próprios arcebispos que estão se aposentando
também podem indicar nomes de sucessores, para serem apreciados pelo papa.
“Qualquer padre pode ser indicado. Só que ninguém se candidata, não existe isso,
né? O que acontece é, tanto o bispo que está saindo pode indicar, quanto a
embaixada pode indicar. E aí, tendo esses nomes que foram indicados, são feitas
as consultas. E essas consultas são enviadas para diversos padres no Brasil e
fora do país, né? Que fazem várias consultas, várias perguntas sobre determinado
candidato. E aí, obviamente, isso leva um tempo, né? Não é uma coisa que se
decide em uma semana. É uma consulta que leva bastante tempo”, afirmou.




