A denúncia do MPRJ revela que a prática de homiziar líderes do tráfico em grandes complexos vai além dos criminosos de outros estados, chegando a envolver chefes de comunidades fluminenses. Um exemplo claro disso é Daniel Afonso de Andrade, conhecido como Danado, apontado como o líder do Morro Jorge Turco, que está homiziado no Complexo da Penha, onde gerencia um comércio intenso de drogas e dinheiro em espécie. Outro traficante citado é José Severino da Silva Junior, o Jetta ou Soró, que chefia morros em Belford Roxo e também se abriga na Penha, assim como Thiago Barbosa Conrado, o Taz ou TH do Rasta, chefe do Rasta em Duque de Caxias.
Durante a megaoperação que resultou em mais de 100 mortos, 29% dos 113 presos eram de fora do estado do Rio, incluindo representantes da Bahia, Pernambuco e Pará. Um dos presos, Eduardo Lisboa de Freitas, conhecido como Du Mec e identificado como gerente do tráfico no Complexo da Penha, desempenha diversas funções, desde a gestão da segurança das bocas de fumo até a mediação da vinda de traficantes de outros estados para a região.
A presença de chefes do tráfico de diferentes partes do país em complexos como o da Penha é um reflexo da complexidade e do alcance das atividades criminosas do Comando Vermelho. Esses locais se tornaram refúgios estratégicos para essas lideranças, que controlam não apenas as atividades ilícitas de suas comunidades, mas também têm influência sobre as ações da facção em nível nacional. A atuação conjunta das forças de segurança é fundamental para desmantelar essas estruturas e combater o crime organizado de forma eficaz.



