Concorrência maior e pressão sobre Europa: entenda como ‘tarifaço’ de Trump preocupa setor de hortifrúti brasileiro
Para pesquisadores do Cepea, pode haver uma pressão maior para exportar frutas ao bloco europeu, elevando a concorrência entre os fornecedores destes alimentos.
Tarifaço pode comprometer comércio de uva e manga entre Brasil e norte-americanos. — Foto: Rejane Paludo/Emater-RS
O “tarifaço” anunciado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para produtos importados de 185 países gera preocupações no setor brasileiro de hortifrúti. As informações constam em boletim do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), do Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP).
Segundo pesquisadores da equipe Hortifrúti/Cepea, o fato de as frutas ficarem “mais caras” para entrar nos Estados Unidos pode comprometer o pequeno comércio que hoje o Brasil tem com os norte-americanos – principalmente de uva e manga.
Outra preocupação é sobre a necessidade de uma reorganização dos envios dos principais concorrentes do Brasil – o México, por exemplo, pode direcionar grande parte das vendas que seriam aos Estados Unidos para a União Europeia.
Com isso, pesquisadores do Hortifrúti/Cepea explicam que pode ocorrer uma pressão maior para exportar frutas ao bloco europeu, elevando a concorrência entre os fornecedores destes alimentos.
Assim, pesquisadores do Hortifrúti/Cepea sugerem avaliar se os concorrentes do Brasil que são importantes fornecedores de frutas nos Estados Unidos estão sendo taxados com maiores porcentagens.
De acordo com dados do Comex Stat, do total de manga exportado pelo Brasil em 2024, de 258 mil toneladas, 14% tiveram como destino os EUA. Do montante de uva, de 59 mil toneladas, foram 23%.
Das exportações brasileiras totais de frutas de mesa, apenas 6%, ou 63 mil toneladas, foram enviadas aos norte-americanos.
Produção de manga — Foto: Acervo/Seiva do Vale
ENTENDA O ‘TARIFAÇO’ DE TRUMP
Na última quarta-feira (2), Trump determinou que o país passará a cobrar uma taxa de, no mínimo, 10% sobre os produtos importados do Brasil, a partir deste sábado (5).
Chamada pelo republicano de “Dia da Libertação”, a data do anúncio marcou o início de um conjunto de tarifas que, segundo Trump, libertarão os EUA de produtos estrangeiros.
Na última semana, o presidente norte-americano chegou a afirmar que as tarifas devem incluir todos os países, mas disse que as taxas podem ser mais suaves do que se espera e que está disposto a fazer acordos.
No Brasil, o Senado Federal aprovou, na véspera, em regime de urgência, um projeto que cria mecanismos e autoriza o governo a retaliar países ou blocos que imponham barreiras comerciais a produtos brasileiros.
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