Água invade condomínio e deixa estacionamento submerso durante temporal em Ribeirão Preto; VÍDEO
Prédio da década de 1970, construído abaixo do nível da via, voltou a alagar com temporais de quarta (14) e quinta-feira (15). Moradores cobram obras no sistema de drenagem.
Condomínio de Ribeirão Preto, SP, é invadido pela água por dois dias seguidos após chuvas
Um condomínio residencial da zona Leste de Ribeirão Preto (SP) foi invadido pela água por dois dias consecutivos após as fortes chuvas registradas na cidade na quarta (14) e na quinta-feira (15).
O alagamento deixou o estacionamento parcialmente submerso, atingiu áreas comuns e apartamentos, causando transtornos, prejuízos e preocupação entre os moradores.
O prédio fica na Marginal da Avenida Leão XIII, na Rua Alfredo Benzoni, próximo à esquina com a Rua Arnaldo Vitaliano. Construído na década de 1970, o condomínio está em um nível mais baixo que a avenida, o que facilita a entrada da água quando chove forte.
Imagens feitas por moradores mostram como o condomínio ficou tomado pela enxurrada nos dois dias de temporal.
A água chegou a cobrir o piso do estacionamento, invadiu corredores e entrou no primeiro bloco de apartamentos. Vídeos também registram lixo e lama sendo carregados para dentro do prédio junto com a enxurrada. Assista acima.
A síndica do condomínio, Maria Thomazini, afirmou que a situação tem se repetido e que os moradores já pedem ajuda há anos:
“Na quarta-feira tivemos uma enchente aqui, muita água no estacionamento e dentro dos apartamentos. Ontem [quinta-feira], por volta das 18h, foi uma confusão, ninguém conseguia passar. A gente tem que abrir o portão e o lixo todo vem com a água.”
HISTÓRICO DE PROBLEMAS
Essa não foi a primeira vez que o condomínio enfrentou um alagamento grave. Em 2015, uma forte chuva fez com que um muro do prédio caísse sobre nove carros estacionados em um condomínio vizinho, atrás do mesmo terreno.
Desde então, moradores relatam que cobram uma solução definitiva para o problema. A subsíndica, Casimira Castello, explica que o risco é constante.
“Nossa maior preocupação é com os moradores. Precisamos abrir o portão porque a vazão da água é muito grande. Como o terreno é inclinado, a água invade carros e entra no Bloco 1, que é o mais baixo. Tudo o que podia ser feito internamente nós já fizemos. Agora depende de obras externas da prefeitura.”
EXISTE SOLUÇÃO?
O engenheiro civil José Roberto Romero disse que o problema exige um estudo técnico mais amplo da drenagem da região, ligada à bacia do Rio Catete, que deságua no Córrego do Retiro.
Segundo ele, ampliar galerias pode ser uma solução, mas só após um estudo hidrológico detalhado e manutenção regular do sistema existente, que pode estar entupido.
Romero também destaca que a impermeabilização do solo agrava os alagamentos.
“Quando se pavimenta tudo com concreto e asfalto, a água deixa de infiltrar e corre direto para as galerias. Uma alternativa é o uso de pavimento drenante, que permite a infiltração e pode até ajudar na recarga do Aquífero Guarani.”
Ele afirma, ainda, que eventos climáticos extremos tendem a ser mais frequentes, o que exige soluções modernas de engenharia e planejamento urbano.
VÍDEOS MOSTRAM AVENIDA TOMADA PELA ÁGUA
Registros feitos por moradores e motoristas mostram que o alagamento não se restringiu ao condomínio.
Nas imagens, a Marginal da Avenida Leão XIII e trechos da Rua Alfredo Benzoni apareceram completamente empoçados, com a água cobrindo o asfalto.
Em alguns vídeos, carros e motos tiveram dificuldade para atravessar a via, e pedestres precisaram esperar a redução do nível da água para conseguir passar com segurança.
Moradores de prédios altos da região também registraram, de cima, a dimensão do alagamento que se espalhou por várias quadras.
O QUE DIZ A PREFEITURA
Em nota enviada à EPTV, afiliada da TV Globo, a Prefeitura de Ribeirão Preto informou que a Secretaria de Infraestrutura e Zeladoria está agindo de forma preventiva em toda a cidade, com a limpeza de bocas de lobo, galerias de águas pluviais e drenagem das vias.
A administração municipal reforça, ainda, que o sistema de drenagem urbana da cidade sofre impactos do aumento significativo das chuvas, intensificado por eventos climáticos extremos, o que pode exceder a capacidade de escoamento em determinados momentos.
Diante desse cenário, a atual gestão explicou que está elaborando a atualização do sistema de drenagem urbana, prevista no novo Plano Municipal de Saneamento Básico.




