A resistência ao projeto da FIFA de criar uma subsidiária para investimentos privados ganhou nova força com a recente adesão da Confederação Asiática de Futebol (AFC) à oposição já manifestada pela Uefa e pela Concacaf. No comunicado divulgado, a AFC enfatiza que a proposta, designada como Fifa Forward Enterprise (FFE), não oferece as condições necessárias para um consenso entre as entidades que formam o futebol mundial.
A AFC representa 47 associações nacionais, sendo que 46 estão filiados à FIFA, o que lhe confere uma posição relevante na discussão. A confederação asiática considera que a criação da FFE poderia acentuar as divisões no futebol, argumentando que a proposta não poderá alcançar a unidade necessária para seguir adiante. “Com base na posição expressa pela Uefa e Concacaf, além das divisões sem precedentes que surgiram, a FFE não poderá, de forma realista, alcançar o consenso necessário”, declarou a AFC.
Embora a Confederação Asiática não tenha rejeitado formalmente a proposta, fez um alerta importante: qualquer iniciativa que ameace a unidade e o caráter universal da Copa do Mundo deve ser reavaliada. Este pronunciamento da AFC ocorre um dia após a Uefa ter ameaçado boicotar competições organizadas pela FIFA e, posteriormente, a Concacaf ter se manifestado de forma unânime contra o projeto.
Além da oposição, a AFC criticou o modo como a proposta foi elaborada, destacando as fragilidades do processo de consulta e decisões dentro da FIFA. “Este projeto revelou falhas fundamentais no processo de tomada de decisões da FIFA”, disse a entidade. A AFC solicitou uma revisão urgente da governança da FIFA, afirmando que uma proposta com impacto significativo no futuro do futebol global não deve avançar sem um processo de consulta adequado que inclua todas as partes interessadas.
No cenário atual, confederações da África (CAF) e da Oceania (OFC) informaram que buscarão consultar seus membros antes de firmar uma posição oficial sobre a proposta. A Conmebol, responsável pelo futebol sul-americano, ainda não se manifestou sobre o assunto, mas sua posição é esperada com muita atenção por todos os envolvidos.
Apesar da pressão contrária, a FIFA insistiu que seguirá com o processo de consultas, que ela descreve como “abertos e democráticos”. A proposta da FFE visa atrair investidores para financiar o desenvolvimento do futebol mundial, permitindo que investidores adquiram até 20% de participação na subsidiária, mantendo-se como acionistas minoritários.
Segundo a FIFA, a FFE pode ser avaliada em até US$ 20 bilhões e tem potencial para levantar até US$ 4,2 bilhões em investimentos privados. O objetivo é aumentar os investimentos destinados ao desenvolvimento do futebol de US$ 10 bilhões entre 2027 e 2030.
Caso a proposta seja aprovada, todas as 211 federações filiadas à FIFA poderiam receber um pagamento extraordinário de US$ 20 milhões no início de 2027. Além disso, o repasse regular do programa FIFA Forward para o ciclo de 2027 a 2030 aumentaria de US$ 8 milhões para US$ 20 milhões por federação, o que representaria um impacto financeiro significativo no cenário do futebol mundial.





