CPI investiga irregularidades na contratação de kits de robótica em Limeira

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Durante acareação entre testemunhas convocadas pela Comissão Parlamentar de
Inquérito (CPI) que investiga a contratação de kits de robótica para a Rede de
Ensino de Limeira, uma das depoentes afirmou que divergência de informações foi causada por
um lapso de memória.

Acareação: a reunião entre chefe da Divisão Financeira da Secretaria de Educação
na época, Amanda Dias, e a assessora especial de Gestão Pública do ex-secretário
André Luis de Francesco, Franciny Almeida Souza, ocorreu última nesta
sexta-feira (13), após a CPI considerar que os depoimentos anteriores foram
contraditórios.

Contradições que motivaram acareação

Segundo a Câmara, dois depoimentos foram contraditórios. O relato da chefe da
Divisão Financeira da Secretaria de Educação na época da contratação dos kits de
robótica, Amanda Regina Dias, e o da assessora especial de Gestão Pública do
ex-secretário André Luis de Francesco, Franciny Almeida Souza.

Enquanto Amanda afirma que Franciny foi responsável por contactar as empresas
para o encaminhamento das cotações, a outra nega.

O colegiado também prorrogou os trabalhos de investigação por mais 90 dias, o
pedido ainda precisa ser apreciado em Plenário.

Oitivas anteriores

No último dia 6 de março, a CPI ouviu os servidores que participaram do processo
licitatórios, entre eles, as duas funcionárias que deverão estar na acareação
após divergências verificadas pela comissão na oitiva.

Foram ouvidos servidores e ex-servidores Amanda Regina Dias, Luis Antonio Faber,
Pollyana Feitosa, Luis Fernando Ferraz, Raquel Patrícia Firmino Lopes Teixeira e
Franciny Almeida.

O diretor do Departamento de Suprimentos na época da contratação dos kits, Luis
Fernando Ferraz, explicou os procedimentos necessários para dar início a uma
licitação.

R$ 10 milhões em verba pública

A Prefeitura de Limeira (SP) gastou R$ 10,7 milhões da verba pública municipal
para compras de kits de robótica, livros paradidáticos e licenças de tecnologia
de uma empresa que é investigada por superfaturar seus produtos em até 35 vezes, segundo investigação da Polícia Federal (PF).

A casa e uma empresa do ex-prefeito de Limeira, Mario Botion, foram alvos de
mandado de busca durante a operação Coffee Break, realizada pela PF em novembro de 2025. Já na
sede da Life Educacional, que fornecia os kits, a polícia apreendeu documentos,
computadores e outros aparelhos eletrônicos. Cinco veículos também foram
apreendidos.

PF cita empresas de fachada e repasses indevidos

As investigações da PF ainda citam uma série de supostas irregularidades na
relação entre a empresa e prefeituras com quem firmou contratos:

Que a Life nunca teria demonstrado ter porte para o volume financeiro dos
contratos;

Que a Life teria empregado sua “altíssima” margem de lucro em transações
voltadas a adquirir patrimônio para seu sócio e remessas de valores para
empresas de fachada, controladas por “doleiros”, para ocultar a
origem/destino do dinheiro;

Que foi possível identificar diversas transferências bancárias da Life
Tecnologia para empresas de fachada;

Que o sócio administrador da Life adotava a “prática corriqueira” de
pagamentos indevidos a servidores públicos e lobistas, que lhe garantiam os
contratos milionários junto às prefeituras.

O que dizem os citados

Na época, a Life Educacional informou que não ia se pronunciar sobre o
caso.

Em nota, a assessoria de comunicação do ex-prefeito de Limeira, Mário Botion,
informou que a licitação que contratou os kits de robótica ocorreu de forma
regular e que seguiu rigorosos trâmites administrativos.

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